BELO HORIZONTE — Trabalhadores e trabalhadoras sem terra de várias regiões de Minas Gerais participam nesta sexta-feira (11) de uma jornada de mobilização em Belo Horizonte. A agenda reúne pautas como reforma agrária, democracia, soberania popular e direitos para populações rurais e urbanas.
A concentração ocorreu pela manhã, na Praça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). De lá, os manifestantes seguiram em marcha até a região central da capital. Durante o percurso, passaram pela sede da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), onde apresentaram reivindicações sobre o fornecimento de eletricidade para assentamentos e comunidades rurais.
Energia elétrica nos assentamentos
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirma que mais de 4 mil pedidos de ligação de energia estão pendentes na Cemig. Desse total, 762 seriam referentes a famílias assentadas pelo movimento.
A organização reivindica que o governo de Minas Gerais e a companhia adotem integralmente o programa federal Luz para Todos, atendam às solicitações acumuladas e ampliem a transparência sobre as comunidades rurais incluídas na iniciativa.
Para o MST, a eletrificação também interfere na produção dos assentamentos. O acesso à energia pode melhorar as condições para armazenar e beneficiar alimentos, além de fortalecer a infraestrutura das comunidades.
Atos da tarde e da noite
Às 15h, está previsto um ato no Viaduto Santa Tereza em defesa da Reforma Agrária. A atividade também lembrará a resistência das famílias do acampamento Terra Prometida, em Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha. Em 2004, cinco trabalhadores Sem Terra foram mortos durante um ataque ao local.
A área da antiga Fazenda Nova Alegria foi declarada de interesse social para fins de Reforma Agrária por meio de decreto presidencial assinado em janeiro de 2026.
O encerramento da jornada ocorrerá às 18h, na Praça Sete de Setembro, com o ato popular “Ocupar as ruas, defender a soberania”. A programação deve reunir trabalhadores rurais e urbanos, movimentos sociais, sindicatos, juventude, mulheres, povos originários e organizações políticas, além de apresentações artísticas.
Silvio Netto, coordenador estadual do MST em Minas Gerais, disse que a mobilização busca ampliar a presença do movimento nas ruas e defender a autonomia da população brasileira sobre riquezas e recursos naturais, como água, minérios e biodiversidade. Também citou a produção de alimentos e os direitos sociais e trabalhistas.
“Não vamos aceitar golpe, não vamos aceitar que mexam com a nossa soberania”, afirmou o dirigente.


