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Presença de mulheres na política não substitui análise de propostas

A participação feminina amplia o acesso ao poder, mas a escolha do voto depende dos direitos e compromissos defendidos por cada candidatura.

Presença de mulheres na política não substitui análise de propostas

A presença de mulheres entre as candidaturas mais competitivas no Distrito Federal não permite concluir, por si só, que os direitos das mulheres avançarão. A avaliação, segundo a cientista política, feminista e escritora Priscilla Brito, precisa considerar as propostas, os grupos atendidos e os compromissos concretos de cada candidatura.

Na disputa citada por Brito, a governadora Celina Leão (PP) aparece à frente das pesquisas, enquanto Leila do Vôlei (PDT), Erika Kokay (PT), Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) são apresentadas como candidatas fortes às duas vagas do Senado. O cenário mostra a ampliação do acesso feminino a posições de poder, mas reúne mulheres com visões diferentes sobre Estado, sociedade e política.

Representação e programa

A distinção entre ocupar espaços e defender determinadas ideias é associada por Brito ao trabalho da cientista política estadunidense Anne Phillips, autora do texto “De uma política de ideias a uma política de presença?”. A formulação sustenta que um sistema político mais justo precisa incorporar tanto a presença de grupos diversos quanto suas ideias.

Para Brito, cotas e mecanismos de paridade são importantes porque ajudam a evitar que os espaços de decisão permaneçam restritos aos homens. Essa ampliação, porém, não estabelece automaticamente quais direitos serão defendidos pelas representantes nem quais políticas públicas serão priorizadas.

A autora afirma que a escolha eleitoral deve levar em conta questões do cotidiano. Entre elas estão a possibilidade de conseguir atendimento médico, a oferta de vagas em creches e a existência de regras que permitam ao trabalhador se ausentar para levar um filho à vacinação. O voto, nessa perspectiva, está ligado ao acesso efetivo a direitos e serviços.

O que observar nas candidaturas

A análise proposta inclui identificar a quem cada candidatura serve, quais creches pretende construir, como pretende financiar a saúde pública e se seu compromisso está voltado à maioria da população ou à manutenção de privilégios. A presença feminina pode indicar que barreiras de acesso começaram a ser rompidas, mas não substitui a análise do programa.

Brito também relaciona a importância do voto à situação de pessoas que vivem do salário, organizam as despesas e enfrentam emergências. Para quem não tem acesso direto aos círculos de poder, a representação política e a cobrança dos eleitos são formas de participação na democracia.

Por isso, a defesa de direitos deve orientar a escolha eleitoral. A presença de mulheres nos espaços políticos tem relevância, mas, no argumento apresentado, o compromisso com as condições concretas de vida é o critério decisivo.

Priscilla Brito é cientista política, feminista e escritora.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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