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Relatório registra 58 ataques da extrema direita contra a CNBB desde 2018

Documento da Comissão Brasileira de Justiça e Paz reúne episódios de acusações políticas, ataques a bispos e boicotes à Campanha da Fraternidade.

Relatório registra 58 ataques da extrema direita contra a CNBB desde 2018

Bispos e outros integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) receberam, nesta segunda-feira (28), um relatório que reúne 58 episódios de ataques da extrema direita brasileira contra a entidade, seus dirigentes e campanhas pastorais. O documento foi produzido pela Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), organismo ligado à CNBB.

A retrospectiva abrange fatos ocorridos desde 2018 e chega à entrevista mais recente de Flávio Bolsonaro (PL), na qual ele associou a informação de que pretende retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil, caso seja eleito, a uma “fake news de gente de dentro da CNBB”.

A CBJP afirma que os registros incluem acusações financeiras, associações da conferência ao PT e ao comunismo e tentativas de desqualificação religiosa. A Campanha da Fraternidade aparece em diferentes episódios como alvo de boicotes, mobilizações públicas e orientações para que fiéis não contribuam com a coleta. Cada ocorrência é acompanhada de links para os conteúdos relacionados aos ataques contra a CNBB e bispos.

Episódios reunidos

O primeiro caso listado ocorreu em fevereiro de 2018, quando o blogueiro Bernardo Kuster publicou um vídeo que associava a CNBB à esquerda, especialmente ao PT, e classificava a Campanha da Fraternidade como “sempre politizada da CNBB”. Kuster é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das Fake News. Em 2026, trabalha na campanha de Márcio Pacheco (Republicanos-PR) para deputado federal.

Em outubro de 2018, Jair Bolsonaro (PL) afirmou em vídeo que a “CNBB é a parte podre da igreja Católica”. Em maio de 2019, dom Walmor Oliveira passou a ser alvo de ataques em uma produção que o chamou de “petista, dilmista” e o associou à teologia da libertação e à ideologia de gênero.

Eduardo Bolsonaro publicou, em junho de 2019, uma crítica à CNBB no X. Em julho de 2020, 152 bispos teriam sido espionados por uma estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) conhecida como “Abin paralela”. Os religiosos haviam assinado, um mês antes, a “Carta ao povo de Deus”, com críticas à postura de Jair Bolsonaro diante da epidemia de Covid-19. O blogueiro Rodrigo Constantino, também em reação ao documento, chamou a CNBB de “Conferência Nacional dos Bispos BOLIVARIANOS”.

O relatório ainda registra ataques a dom Odilo Sherer, em outubro de 2022, por causa da cor vermelha usada em sua foto de perfil no X, e uma manifestação de Paulo Bilynskyj (PL-SP), em dezembro de 2020, que classificou a CNBB como um “antro de comunistas”.

Disputa sobre Nossa Senhora Aparecida

A tensão mais recente envolve a circulação de um boato segundo o qual Flávio Bolsonaro apoiaria um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A informação foi relacionada a uma proposta de 2007, arquivada pela Câmara dos Deputados.

A controvérsia também foi alimentada por uma declaração anterior do senador, segundo a qual decretaria que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A campanha negou a intenção de mudar a legislação sobre a padroeira e pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a remoção das publicações. Depois, Flávio Bolsonaro acusou a CNBB de colaborar com a campanha de Lula, ampliando o atrito com bispos e fiéis.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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