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Rezadeiras e benzedeiras preservam saberes de cuidado transmitidos entre gerações

A presença dessas mulheres diminui, enquanto práticas de fé, acolhimento e conhecimento sobre plantas medicinais enfrentam o esquecimento.

Rezadeiras e benzedeiras preservam saberes de cuidado transmitidos entre gerações

Rezadeiras e benzedeiras mantêm formas de cuidado construídas pela oralidade, pela fé, pela observação da natureza e pela convivência comunitária. Durante séculos, elas estiveram presentes em cidades brasileiras como referências para pessoas que buscavam acolhimento, orientação e proteção espiritual. Hoje, porém, muitas envelhecem sem transmitir seus conhecimentos, e a continuidade dessas práticas se torna cada vez mais incerta.

Um conhecimento formado na experiência

Esses saberes integram o que pesquisadores chamam de etnociência: conhecimentos produzidos pelos povos a partir da experiência, da transmissão oral e da relação com o ambiente. O estudo Identidades étnicas e etnociências nas práticas de rezadeiras, de Graciela Souza Almeida e Natalino Perovano Filho, reconhece a relevância desse conjunto de práticas sem estabelecer oposição entre o saber popular e o conhecimento acadêmico.

Valorizar a medicina popular não significa rejeitar tratamentos médicos ou negar a ciência. Significa reconhecer que diferentes formas de conhecimento podem coexistir e dialogar. As práticas tradicionais fazem parte da formação histórica e cultural do Brasil, especialmente por reunirem observações sobre plantas medicinais, crenças espirituais e modos coletivos de cuidado.

Embora também existam homens que desempenham esse ofício, a presença feminina se destaca por sua importância histórica e cultural. Cada oração aprendida com a mãe ou a avó, cada planta cultivada no quintal e cada conselho oferecido a alguém em sofrimento compõem uma memória coletiva transmitida entre gerações.

Diferenças entre rezar e benzer

Rezadeiras e benzedeiras são frequentemente apresentadas como se exercessem exatamente a mesma função, mas há diferenças entre suas práticas. Conforme Alaíze dos Santos Conceição, as rezadeiras estão mais associadas às orações e aos pedidos de proteção espiritual. As benzedeiras também recorrem às rezas, mas costumam incorporar ervas, ramos, gestos e sinais da cruz em rituais de cura.

As duas tradições têm em comum a transmissão familiar e comunitária dos conhecimentos. Sua formação resulta da combinação de tradições indígenas, africanas e portuguesas, que contribuíram para a cultura brasileira. O trabalho dessas mulheres envolve ainda escuta, aconselhamento, visitas a vizinhos, familiares e enfermos e cultivo de plantas medicinais.

Dona Maria e Dona Maria Matias são apresentadas como exemplos desse acolhimento. Elas recebem em suas casas pessoas que chegam com dores, medos e esperanças, sem cobrar pelo atendimento. A atenção oferecida, acompanhada por orações, expressa uma forma de cuidado baseada no respeito e na proximidade.

O risco de perder uma memória

O afastamento das novas gerações não decorre apenas das transformações religiosas ou da expansão da ciência. Também está ligado à desvalorização de práticas culturais, ao desconhecimento de sua importância histórica e à falta de reconhecimento das mulheres que dedicaram a vida ao cuidado da comunidade.

Muitos jovens já não aprendem as rezas, não conhecem as ervas medicinais e sequer convivem com mulheres que exerçam esse papel. Com isso, o desaparecimento de uma rezadeira ou benzedeira representa mais do que a perda de um ofício. Significa o enfraquecimento de um patrimônio cultural construído por meio da memória, da experiência e das relações entre diferentes grupos sociais.

Danielle Gomes do Nascimento e Maria Ignez Novais Ayala destacam que as práticas orais das rezadeiras preservam conhecimentos, experiências e formas de cuidado. Essas mulheres mantêm uma relação com a escuta, a fé, a natureza e o acolhimento comunitário.

Preservar esses saberes é reconhecer a memória popular brasileira e a diversidade das formas de conhecimento. Também é admitir que, para as comunidades que recorrem a essas práticas, o cuidado pode envolver fé, escuta, acolhimento e ancestralidade, sem que isso implique substituir a medicina ou negar a ciência.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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