O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) se transformou em um espaço de disputa política e deixou de atuar apenas em torno de questões jurídicas. Em coletiva de imprensa após encontro com a Amcham, nesta quinta-feira, 10, ele avaliou que ministros ligados ao petismo e ao bolsonarismo estão em conflito dentro da Corte.
A declaração ocorreu após decisões recentes do presidente do STF, Edson Fachin. Ele suspendeu decisões de André Mendonça e Flávio Dino que haviam afastado e depois restabelecido o cargo do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em outra decisão, Fachin retirou Alexandre de Moraes do inquérito das fake news.
Críticas a ministros
Na avaliação de Renan Santos, André Mendonça teve uma atuação superior à dos demais ministros no episódio porque tornou público um problema envolvendo integrantes da própria Corte. O candidato disse que o grupo associado a Alexandre de Moraes teria interpretado as manifestações de Mendonça como uma traição interna.
Para Renan, a intervenção de Fachin representou uma tentativa de interromper o conflito, mas não resolveu a disputa sobre a influência dos ministros. Ele afirmou que o STF virou um campo de batalha e acusou Moraes de usar um inquérito sob sua condução para pressionar um adversário político. Também disse que Fachin deveria promover uma reorganização geral na Corte.
Na quarta-feira, 9, o candidato havia divulgado um comunicado em que classificou a decisão de Fachin como o resultado de uma disputa entre ministros. Na avaliação apresentada naquela ocasião, o episódio refletiria uma competição para demonstrar qual integrante da Suprema Corte teria uma atuação mais dura.
Relação com o próximo governo
Renan Santos afirmou ainda que o STF deverá buscar uma acomodação com qualquer governo eleito. Ele citou a possibilidade de composição tanto em um eventual governo de Flávio Bolsonaro quanto em uma gestão de Lula, relacionando esse movimento às indicações que o próximo presidente deverá fazer para a Corte.
Segundo o candidato, a perspectiva de mudança na composição do tribunal faria com que os ministros procurassem um entendimento com o futuro governo, independentemente de quem vencer a eleição. Ele associou essa avaliação ao caso do Banco do Brasil e disse que a aproximação teria como objetivo evitar consequências do escândalo mencionado por ele.


