RIO DE JANEIRO — A exibição de “Fidel e Cuba Socialista – Queimar os Céus” levou ao Cineclube Casas Casadas, em Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, pessoas que não costumam acompanhar a programação do espaço. A sessão reuniu cerca de 40 pessoas na quinta-feira (10) e foi seguida por uma conversa sobre Cuba, o processo de produção do filme e os desafios do cinema independente para alcançar o público.
A atividade foi organizada pelo Comitê Carioca de Solidariedade a Cuba e contou com a participação do jornalista e diretor Rodrigo Chagas. Ele integrou a equipe que permaneceu 14 dias em Cuba durante as gravações, realizadas principalmente em Havana e em cidades do entorno. A produção tem direção de Chagas e produção executiva de Igor Carvalho.
Debate sobre a realidade cubana
Carmen Diniz, coordenadora do Comitê, afirmou que as perguntas se concentraram nas decisões tomadas durante a realização do documentário e nas condições de vida na ilha diante do recrudescimento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Para ela, a presença de Chagas permitiu abordar experiências e impressões que não foram incluídas nos 46 minutos da versão final.
“As pessoas têm a curiosidade, lógico, de saber, de fonte fidedigna, de jornalistas, do jornalismo sério, a situação atual de Cuba”, disse Diniz. Ela também afirmou que a discussão procurou apresentar as dificuldades do país sem idealizar sua situação.
A sessão ocorreu durante a chuva que atingiu o Rio de Janeiro e terminou com aplausos. Diniz destacou a presença de diferentes faixas etárias, especialmente de jovens, em uma atividade dedicada a Fidel Castro e à experiência socialista cubana. O Comitê pretende promover outras exibições do documentário na cidade.
O papel dos cineclubes
Cavi Borges, cineasta, produtor e um dos organizadores do Cineclube Casas Casadas, disse que a atividade alterou o perfil habitual da programação ao incluir uma discussão sobre Cuba, o socialismo e Fidel. O espaço funciona presencialmente há cerca de um ano, com sessões gratuitas todas as quintas-feiras, às 18h. A iniciativa começou há três anos com atividades online.
Borges também relacionou a sessão às dificuldades de distribuição e exibição enfrentadas por produções independentes. A programação do cineclube prioriza obras brasileiras e inclui curtas, médias e longas-metragens, séries e homenagens a nomes do cinema.
“O cineclube, no fundo, é uma possibilidade de ampliar a exibição e a distribuição desses filmes independentes”, afirmou Borges. Para ele, esses espaços funcionam como alternativas às salas de cinema para obras que encontram obstáculos para chegar ao público.


