O Supremo Tribunal Federal (STF) decide nesta terça-feira (15) se abrirá uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A análise terá como base um relatório da Polícia Federal (PF) sobre as relações entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, incluindo supostas mensagens nas quais Vorcaro consultaria o ministro sobre operações e sobre a possibilidade de deixar o Brasil.
A sessão ocorre após uma sequência de decisões que aumentou a tensão em torno do caso. Em 1º de setembro, o ministro André Mendonça apresentou o relatório da PF que envolvia Moraes. O ministro reagiu com denúncias de suposto abuso de poder contra Mendonça.
No dia 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento do diretor da PF, Andrei Rodrigues. Rodrigues foi reconduzido ao cargo por decisão de Flávio Dino, posteriormente ratificada por Edson Fachin. A decisão de Mendonça foi considerada inconstitucional por avançar sobre uma atribuição do presidente da República.
Questionamentos sobre o celular
O advogado e cientista político Jorge Folena afirma que a análise no plenário começa enfraquecida porque Mendonça manteve sob sua guarda o celular de Vorcaro. Para Folena, o acesso incompleto ao aparelho impede que os ministros examinem integralmente os elementos usados para avaliar a abertura do inquérito contra Moraes.
A PF informou neste domingo (13) que os dados extraídos do telefone de Vorcaro estão “integralmente nas dependências da instituição, dentro de cadeia de custódia formalmente documentada”. Na tarde desta segunda-feira (14), os gabinetes de Gilmar Mendes e Cristiano Zanin receberam uma cópia dos dados.
Folena questiona como os ministros poderão decidir se têm acesso apenas às falas atribuídas a Vorcaro, sem os diálogos completos. Ele também afirma que Mendonça teria quebrado a cadeia de custódia ao permanecer com o aparelho e sustenta que a condução do caso protegeu Flávio Bolsonaro.
Na semana passada, Fachin retirou Mendonça da relatoria dos casos. Folena considera a medida necessária porque Mendonça não negou ter mantido contatos com Vorcaro no instituto dele em São Paulo. Na avaliação do advogado, esse contato poderia comprometer a participação do ministro no julgamento.
Folena também afirma que as decisões de Mendonça favoreceram inicialmente a candidatura de Flávio Bolsonaro, mas não produziram a mobilização esperada em 7 de setembro. Para ele, o episódio deslocou o foco das investigações sobre o filme “Dark Horse” e sobre Flávio Bolsonaro. O advogado ainda diz que o objetivo do bolsonarismo era “implodir o STF”.


