VRELO-ŠARKAMEN — A descoberta de uma casa de banhos instalada dentro da torre de um palácio romano oferece aos arqueólogos elementos para investigar como funcionavam a tecnologia e a rotina de um complexo imperial. O balneário foi localizado no sítio arqueológico de Vrelo-Šarkamen, na Sérvia, em uma residência associada a Maximino Daza, que governou o Império Romano entre 310 d.C. e 313 d.C.
A estrutura ocupava o nível mais baixo da torre situada no canto sudoeste do palácio. O Museu de Krajina anunciou a descoberta na última quarta-feira (2), como resultado de uma parceria com o Instituto Arqueológico da Sérvia e o Ministério da Cultura da Sérvia, dentro de uma iniciativa dedicada ao estudo do sítio.
Uma construção sem paralelo conhecido
Os pesquisadores destacam que não há registros de outro balneário romano construído dentro de uma torre. O formato circular acompanhava o espaço interno da construção, enquanto uma cúpula cobria o ambiente. Seis aberturas no teto funcionavam como janelas.
O conjunto reunia áreas técnicas e espaços destinados ao banho e ao descanso. Foram identificadas três piscinas e um sudatório, ambiente comparável a uma sauna. O aquecimento era feito por um sistema de hipocausto: pequenos pilares sustentavam o piso e deixavam sob ele um espaço para a passagem de ar quente.
Também foi encontrada a base de uma caldeira de cobre. Embora o equipamento não tenha sido preservado, o vestígio permite identificar sua posição e compreender como ele se ligava ao mecanismo de aquecimento da água. O único exemplar conhecido de uma caldeira romana de cobre em bom estado foi encontrado em Pompeia.
Funcionamento do espaço imperial
Corredores destinados à manutenção separavam os funcionários responsáveis pelo aquecimento e pelo abastecimento da fornalha das áreas utilizadas pelos moradores do palácio. Ainda serão necessárias novas análises para determinar como o balneário se conectava às demais partes da residência.
O sítio já havia revelado, há três décadas, um mausoléu imperial com um conjunto único de joias de ouro. As estruturas agora preservadas ampliam a possibilidade de reconstruir o uso cotidiano de um banho imperial romano e de analisar os recursos empregados em seu funcionamento.


