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Ciência

Caranguejos costeiros são encontrados agarrados a cobras marinhas em alto-mar

Pesquisadores identificaram três espécies de caranguejos sobre cobras-marinhas-de-barriga-amarela e investigam a relação com a chegada à costa.

Caranguejos costeiros são encontrados agarrados a cobras marinhas em alto-mar
Foto: Florida Museum/Kristen Grace

Pequenos caranguejos foram encontrados vivendo sobre cobras-marinhas-de-barriga-amarela em alto-mar, comportamento registrado pela primeira vez em crustáceos com patas associados a esses répteis. A descoberta sugere que os animais podem usar as serpentes como transporte durante a busca pelo ambiente costeiro onde viverão quando adultos.

O estudo foi publicado em 31 de maio na revista Ecology and Evolution. A investigação começou em 2012, durante uma expedição na costa da Costa Rica liderada pelo professor Harvey Lillywhite, da Universidade da Flórida, para estudar a espécie Hydrophis platurus. Em um dos primeiros animais capturados, um pequeno caranguejo caiu do corpo da serpente.

O herpetólogo marinho Joseph Pfaller, que já havia pesquisado organismos associados a tartarugas marinhas, passou a observar os passageiros encontrados nas cobras. Ao todo, foram coletadas 371 serpentes. Algumas carregavam caranguejos, camarões, caracóis e até um pequeno peixe-ventosa.

Identificação dos crustáceos

A maior parte dos caranguejos estava no estágio de megalopa, uma fase entre a larva e o indivíduo adulto. Como ainda existem poucas informações sobre a anatomia desses animais nesse período, os exemplares não foram identificados na época. Eles foram preservados e depositados no Museu de História Natural da Flórida.

Cerca de uma década depois, o material voltou a ser analisado em uma conversa entre Pfaller e Robert Lasley, especialista em caranguejos e então pesquisador de pós-doutorado no museu. A equipe examinou o DNA dos exemplares e concluiu que nenhum pertencia ao gênero Planes, como era esperado a partir de um jovem caranguejo encontrado em uma das cobras.

As análises identificaram três espécies da família Grapsidae: Grapsus grapsus, que na fase adulta vive sobre e ao redor de rochas no litoral; Goniopsis pulchra, associado a manguezais; e Pachygrapsus socius, encontrado em ambientes entre as linhas de maré alta e baixa.

Uma possível rota para a costa

A maioria dos caranguejos libera as larvas na água. Depois da fase larval, elas se transformam em megalopas e passam a procurar o ambiente em que viverão. Embora consigam nadar, esses animais também podem escalar e se fixar em superfícies. Correntes oceânicas ajudam no deslocamento em direção à costa, enquanto objetos flutuantes podem servir como apoio durante o percurso.

As cobras-marinhas-de-barriga-amarela frequentam áreas de convergência de correntes e concentração de objetos flutuantes, locais favoráveis à busca por alimento. Essa sobreposição de ambientes pode fazer com que os caminhos dos dois animais se encontrem. “Provavelmente o que acontece é que os caranguejos saem do plâncton, agarram-se a alguma coisa e possivelmente esperam ser puxados para um rio ou lançados na margem”, disse Pfaller.

A estratégia, porém, pode não levar os crustáceos ao destino. Como essas cobras evitam chegar muito perto da costa, os caranguejos que continuam presos a elas provavelmente têm poucas chances de completar a viagem e alcançar a fase adulta.

Os pesquisadores ainda não sabem por que todas as megalopas identificadas pertenciam à Grapsidae, embora várias famílias de caranguejos vivam no litoral da Costa Rica. Uma possibilidade é que essa família tenha maior tendência a subir em objetos flutuantes. Os autores também levantam que esse comportamento pode ter contribuído, ao longo da evolução, para que integrantes da família, como Planes, passassem a viver sobre tartarugas.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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