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Ciência

Peixe de águas profundas é filmado andando para trás no Mar da China Meridional

Imagens mostram o peixe-corvo-armado usando raios das nadadeiras para se apoiar e se mover sobre o sedimento do fundo do mar.

Um peixe de águas profundas foi filmado andando para trás e se deslocando lateralmente no fundo do Mar da China Meridional. O registro foi feito por pesquisadores da Universidade Sun Yat-sen e do Laboratório de Ciência e Engenharia Marinha do Sul de Guangdong durante expedições em áreas próximas à costa de Zhuhai.

O animal é da espécie Scalicus engyceros, conhecida como peixe-corvo-armado. As imagens mostram que ele utiliza partes especializadas das nadadeiras peitorais como apoio para avançar sobre o sedimento. Embora movimentos laterais já fossem associados a esse grupo, o deslocamento para trás não havia sido observado em outros peixes. O estudo foi publicado em julho na revista Ocean-Land-Atmosphere Research.

Estruturas que ajudam na locomoção

O peixe pertence a um grupo cujas nadadeiras peitorais têm raios livres: estruturas rígidas separadas da porção principal da nadadeira. Esses elementos podem funcionar como pequenos pontos de apoio durante o deslocamento no fundo do mar.

Han Tian, autor principal do estudo e pesquisador de doutorado na Universidade Sun Yat-sen, afirmou que Scalicus engyceros está entre as poucas espécies de peixes conhecidas por andar. A espécie foi descrita pela primeira vez pelo zoólogo Albert Günther, em 1872, mas a capacidade de se mover para trás só foi identificada nos registros atuais.

O animal também tem barbilhões, estruturas que lembram um ancinho e se projetam do corpo. Eles permitem sondar o sedimento em busca de presas e podem ajudar o peixe a escavar a superfície enquanto procura alimento. Segundo Tian, esses apêndices dificultam o deslocamento, mas ampliam a capacidade de explorar o fundo do mar.

As nadadeiras peitorais, achatadas e arredondadas, colaboram para o equilíbrio. Estruturas localizadas nas nadadeiras e na cauda permitem respostas rápidas quando o peixe se sente ameaçado. A aparência da espécie combina características associadas a peixe e camarão, o que levou ao apelido de híbrido desses dois animais.

Os olhos grandes também foram observados pela equipe. O peixe aparentemente não identificava o veículo de mergulho quando ele se aproximava, mas movia os olhos ao receber a luz do equipamento. Para os pesquisadores, essa reação indica que os olhos ainda apresentam alguma sensibilidade luminosa e pode sugerir exposição à luz em determinados períodos do ciclo de vida.

Registros no ambiente natural

Além de Scalicus engyceros, os cientistas encontraram outros peixes-corvos vivos em diferentes pontos do Mar da China Meridional: Paraheminodus murrayi e Peristedion liorhynchus. A observação levou a equipe a considerar que ambientes distintos podem ter favorecido adaptações específicas em cada espécie.

Os registros foram obtidos com veículos capazes de alcançar grandes profundidades. Ao acompanhar os animais em seu hábitat, esses equipamentos permitem identificar comportamentos que não aparecem na análise de exemplares preservados.

Tian afirmou que os veículos modernos acrescentam uma dimensão funcional, observada diretamente no ambiente, ao estudo baseado apenas na morfologia. A equipe pretende investigar como os apêndices semelhantes a rastelos, a locomoção e a busca por alimento evoluíram em conjunto. A análise dessas relações pode ajudar a explicar como condições extremas do oceano contribuem para o surgimento de comportamentos incomuns em animais marinhos.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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