BRASÍLIA — A presença de Exu, associado ao caminho e à comunicação por diferentes tradições de matriz africana, esteve no centro da segunda edição do Caminhos de Exu, realizada na W3 Sul. Durante o 7 de Setembro, povos de terreiro levaram para a avenida cânticos, tambores, danças e saudações religiosas em uma celebração da ancestralidade e da liberdade de culto.
A escolha da data colocou em discussão o significado da independência para comunidades que ainda enfrentam preconceito. Taina Ramos, integrante da equipe de produção do evento, questionou: “independência para quem? Sendo que nós ainda sofremos muito preconceito?”
A programação reuniu artistas, famílias, pessoas de diferentes casas e tradições, além de uma feira. Crianças circularam pelo espaço enquanto o público acompanhava apresentações musicais e manifestações religiosas. A ocupação também buscou aproximar pessoas que ainda não conhecem a cultura dos povos de terreiro.
Uma avenida para a espiritualidade
Davi Amado, participante do encontro, afirmou que a iniciativa permitiu expressar publicamente uma espiritualidade muitas vezes silenciada. Para ele, ocupar a rua criou um momento de culto e de afirmação da religião.
Pai Antônio, diretor do Centro Espírita ECIC Perambranca, na Ponte Alta, no Gama, e secretário da Federação Irapuru, relacionou o evento ao enfrentamento do preconceito e do racismo religioso. A atividade reuniu diferentes expressões em torno da defesa da liberdade de fé.
Mãe Baiana destacou o significado de Exu para a celebração. “Exu é o caminho, Exu é quem traz para nós a comunicação”, disse. A referência orientou uma programação que combinou espiritualidade, música e afirmação da ancestralidade do povo de terreiro.
Música, diversidade e ancestralidade
O grupo Filhos de Zé participou do evento com percussão, canto e referências à ancestralidade. Fábio Souza, vocalista e percussionista, ressaltou a multiplicidade cultural e religiosa do encontro. Ed Souza, também vocalista e percussionista, destacou a celebração do axé, da música, da religião e da diversidade.
Bernardo Mota, integrante do grupo, chamou atenção para a reunião de pessoas ligadas a casas e tradições diferentes. Ao longo do dia, o público dançou ao som dos tambores, enquanto cânticos e saudações atravessaram a avenida.
A ocupação da W3 Sul tornou visível uma religiosidade que, conforme os participantes, é alvo histórico de perseguição e estigmatização. Para Taina Ramos, estar na rua também significa abrir caminhos e afirmar o direito de ir e vir associado ao nome do evento.


