BRASÍLIA — A defesa do fim da escala de trabalho 6×1 esteve entre as manifestações ouvidas nas arquibancadas durante o desfile da Independência realizado nesta segunda-feira (7), na Esplanada dos Ministérios. Também foram registrados gritos de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva e pedidos de “sem anistia”. Cerca de 4 mil civis e militares participaram da cerimônia.
Lula acompanhou a programação ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos presidentes da Câmara, Hugo Motta, do Senado, Davi Alcolumbre, e do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. A mensagem “Soberania: a força que une o Brasil” apareceu em diferentes elementos do desfile, como faixas, painéis, banners e veículos.
Produção de alimentos e proteção ambiental
A primeira parte da cerimônia foi organizada em torno de temas civis. Estudantes levaram livros, enquanto grupos apresentaram ações ligadas à educação, à saúde, ao esporte e à produção de alimentos. A vacinação foi representada pela presença do Zé Gotinha, e integrantes do Programa de Atletas de Alto Rendimento também participaram.
A agricultura familiar ganhou destaque com máquinas e equipamentos destinados a pequenos produtores. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, o setor reúne cerca de 4 milhões de famílias no país. A apresentação também mencionou a produção de alimentos, os conhecimentos tradicionais e a preservação dos biomas.
A Companhia Nacional de Abastecimento levou milho, arroz e leite em pó, além de 1,32 tonelada de hortaliças, frutas e outros itens cultivados por agricultores familiares de Planaltina, no Distrito Federal. Após a cerimônia, os produtos foram encaminhados a Cozinhas Solidárias.
Ibama e ICMBio participaram da ala voltada à proteção das florestas, da biodiversidade e dos recursos naturais. A locução também citou minerais críticos e terras raras, relacionados a áreas como eletrônica, transição energética e indústria de defesa. Em pronunciamento no domingo (6), Lula havia mencionado as reservas brasileiras de terras raras, petróleo e água doce ao tratar de soberania e do uso desses recursos para tecnologia, desenvolvimento e empregos.
Proteção de mulheres e futebol
Uma faixa com a frase “Brasil unido pela proteção de meninas e mulheres” abriu o bloco dedicado ao enfrentamento da violência de gênero. Conforme a locução oficial, 180 integrantes de diferentes forças de segurança, homens e mulheres, atravessaram a Esplanada de mãos dadas. O tema foi incluído em um ano de criação de um pacto nacional entre os Três Poderes contra o feminicídio e outras formas de violência contra mulheres.
A Copa do Mundo Feminina de 2027 teve uma ala própria. Onze ex-jogadoras da seleção brasileira, incluindo atletas que atuaram nas décadas de 1980 e 1990, participaram de uma homenagem em carro aberto. Meninas vinculadas a projetos esportivos também estiveram na cerimônia, que incluiu apresentações de atletas. O torneio será realizado no Brasil entre junho e julho de 2027.
Equipamentos militares
A etapa final retomou o formato militar da parada. Tropas da Marinha, do Exército e da Força Aérea marcharam antes da passagem de veículos e armamentos. O desfile motorizado contou com cerca de 120 viaturas e 30 motocicletas, além de blindados, mísseis e sistemas de armas. Embarcações foram transportadas pela avenida, enquanto aviões e helicópteros sobrevoaram Brasília.
A Esquadrilha da Fumaça encerrou a programação com manobras sobre a Esplanada dos Ministérios, depois da apresentação das tropas, dos equipamentos e das aeronaves.


