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A ciência por trás do mito do macho alfa entre lobos, primatas e humanos

Pesquisas mostram que a ideia de um líder masculino definido pela força não descreve lobos, primatas nem as relações humanas.

A ciência por trás do mito do macho alfa entre lobos, primatas e humanos

A ideia de que homens se dividem entre “machos alfa” dominantes e indivíduos “beta” submissos não corresponde ao que estudos sobre animais e seres humanos mostram. O conceito foi aplicado à masculinidade como se força, influência, aparência e desempenho sexual formassem uma escala única de valor, mas a ciência identifica relações bem mais complexas.

De onde veio o conceito de alfa

A expressão surgiu na década de 1940, quando o etólogo alemão Rudolf Schenkel estudou lobos em cativeiro. Em 1970, o biólogo L. David Mech ajudou a popularizá-la com o livro The Wolf. Mais tarde, ao observar lobos vivendo livres, Mech concluiu que a descrição havia sido baseada em uma situação artificial e que o conceito estava ultrapassado.

Os primeiros grupos estudados reuniam lobos de origens diferentes em cativeiro. Nesse ambiente, poderiam surgir disputas e uma hierarquia associada ao chamado macho alfa. A estrutura típica de uma matilha selvagem, porém, é diferente: trata-se de uma família formada por um casal reprodutor e seus descendentes.

Nesse arranjo, os adultos não precisam conquistar continuamente a liderança por meio de confrontos. Eles conduzem o grupo por serem os pais dos demais animais. Machos e fêmeas também desempenham funções importantes. A fêmea participa do cuidado e da defesa dos filhotes, enquanto o macho lidera atividades relacionadas à busca e ao fornecimento de alimento, além dos deslocamentos ligados a elas.

Isso não significa que relações de dominância não existam entre animais. Em algumas espécies de primatas, elas são claras, e o termo alfa pode designar o macho que ocupa a posição dominante. Ainda assim, não há uma reação única dos demais indivíduos a essa posição. Tensões, por exemplo, podem provocar divisões em grupos de chimpanzés.

O alfa nem sempre é macho

Um estudo lançado em 2025 reuniu dados coletados ao longo de cinco anos sobre 253 populações de primatas de 121 espécies. A pesquisa incluiu macacos, lêmures, társios e lóris e analisou agressividade, ameaças e sinais de submissão ou dominância.

Os confrontos entre machos e fêmeas foram mais comuns do que se supunha: em média, mais da metade das interações dentro de um grupo envolvia indivíduos de sexos opostos. Em 17% das populações, os machos venciam de forma constante. Em 13%, as vitórias recorrentes eram das fêmeas. Para 70% dos primatas, não havia dominância clara de um sexo sobre o outro.

A predominância masculina aparecia principalmente em espécies nas quais os machos tinham vantagem física evidente, como maior porte ou dentes mais desenvolvidos. As fêmeas tendiam a dominar sociedades quando controlavam a reprodução. Os resultados não devem ser transferidos diretamente para os seres humanos, mas contradizem a ideia de que o alfa é sempre macho e nunca é desafiado.

Status humano não se resume à força

Nas sociedades humanas, diferenças de status existem, mas não podem ser reduzidas à regra de que o mais forte sempre vence. Um estudo publicado em 2001 na revista Evolution and Human Behavior propôs distinguir pelo menos duas maneiras de obter influência: dominância e prestígio.

A dominância envolve força, intimidação ou ameaça. O prestígio, por outro lado, surge quando outras pessoas oferecem deferência voluntariamente por reconhecerem competência, conhecimento ou habilidade. Um cirurgião pode ser respeitado por sua formação e capacidade; um atleta, por seu desempenho e esforço; e um empresário, por seu poder econômico. Uma pessoa também pode ser popular em um grupo sem exercer autoridade sobre ele.

O status varia conforme o contexto. Alguém pode ser influente no trabalho e ter pouca influência entre amigos. Outra pessoa pode ser fisicamente dominante, mas não possuir prestígio social. Por isso, características frequentemente associadas ao “macho alfa” da internet — como agressividade, força, riqueza, independência e desempenho sexual — não formam um pacote biológico único. Não há um gene que reúna todas elas.

Entre primatas, a posição dominante também depende da composição do grupo, da idade, das relações sociais, das alianças e do ambiente. A substituição de um indivíduo dominante pode ocorrer depois de uma disputa direta, mas também quando ele envelhece, se machuca, deixa o grupo ou é sucedido por outro animal que já ocupava posição elevada.

As formas de obter status estão associadas a características diferentes. Um estudo de 2010 relacionou a dominância a narcisismo, agressividade e baixa amabilidade. O prestígio apareceu associado a autoestima genuína, amabilidade, conscienciosidade, realização, aconselhamento e comportamento pró-social. A distinção ajuda a mostrar por que o modelo de “alfa versus beta” não descreve adequadamente nem os animais nem as relações humanas.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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