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Ciência

Fotografia de 1975 documentou pela primeira vez um tornado no Brasil

Imagem feita por um suboficial da FAB em Santa Maria ajudou a iniciar o estudo científico de tornados no país.

Fotografia de 1975 documentou pela primeira vez um tornado no Brasil

Uma fotografia feita em 1975 por um suboficial da Força Aérea Brasileira (FAB) em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, tornou-se o primeiro registro fotográfico conhecido de um tornado no Brasil. Moacir Moreira estava na Base Aérea de Santa Maria quando percebeu uma coluna escura descendo das nuvens em direção ao solo.

A base ficava a cerca de 11 quilômetros do centro do município. O tornado se encontrava a aproximadamente cinco quilômetros a sudoeste do aeroporto, e Moreira apontou a câmera para a formação. A imagem registrou um fenômeno que, na época, ainda era desconsiderado por estudiosos como possibilidade em território brasileiro.

O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica classificou o registro como “um marco histórico pouco conhecido do grande público”. A fotografia foi apresentada pela primeira vez em uma análise do tenente-coronel José Soares Lima, em 1982, no 2º Congresso Brasileiro de Meteorologia, realizado em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Meteorologista-chefe do Centro de Meteorologia da FAB em Porto Alegre, Lima deu ao episódio um tratamento científico.

O que a imagem revelou

Tornados são colunas giratórias de ar que se estendem de nuvens cumulonimbus até o solo durante tempestades severas. Eles se formam a partir das chamadas nuvens-funil, têm ventos de alta velocidade e costumam durar até 30 minutos.

A fotografia de Santa Maria não permite concluir, por si só, se o funil tocou o chão. Ernani Nascimento, meteorologista formado pela Universidade de São Paulo e doutor em Meteorologia pela Universidade de Oklahoma, explicou que estudantes entrevistaram moradores antigos da região. Um deles se recordou do episódio e relatou que o funil havia provocado danos.

Nascimento também afirmou que, nos anos 1990, ainda era comum a ideia de que não existiam tornados no Brasil. Ele atribui à professora Maria Assunção Faus da Silva Dias, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, a ampliação do interesse acadêmico pelo tema. A partir da primeira década deste século, tempestades severas e tornados passaram a ser estudados com mais frequência em dissertações e teses.

Desde 1975, imagens feitas por câmeras de segurança, propriedades particulares e smartphones ampliaram a documentação desses eventos. Em 2025, a Plataforma de Registros e Rede Voluntária de Observadores de Tempestades Severas contabilizou 92 tornados e fenômenos semelhantes. Até o início de agosto, foram registrados 81.

O Brasil não tem um sistema centralizado para catalogar tornados. Pesquisadores estimam, porém, que o sul do país, junto com Paraguai, nordeste da Argentina e Uruguai, forme o segundo maior corredor mundial desses fenômenos. O primeiro é o Meio-Oeste dos Estados Unidos, onde se concentram cerca de 80% das formações observadas no planeta.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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