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Ciência

Como milhares de variantes ajudam a explicar as diferenças de personalidade

Pesquisa associou 1.260 marcadores genéticos aos Cinco Grandes traços, mas o DNA ainda explica apenas parte da variação entre as pessoas.

Como milhares de variantes ajudam a explicar as diferenças de personalidade
Foto: Eduardo Munoz -11.set.26/REUTERS

A personalidade não é definida por um pequeno conjunto de genes. Uma análise que reuniu dados de mais de 1 milhão de genomas identificou 1.260 marcadores genéticos associados aos chamados Cinco Grandes traços: extroversão, agradabilidade, conscienciosidade, neuroticismo e abertura à experiência. Quase dois terços desses marcadores não haviam sido identificados antes.

O trabalho, publicado recentemente na revista Nature, também comparou os genes de milhares de irmãos e de pares formados por pais e filhos. O objetivo era separar a influência direta do DNA de fatores compartilhados, como o ambiente familiar. Ao todo, foram considerados dados de 46 coortes de estudo.

Uma influência distribuída

Os resultados reforçam a ideia de que temperamento e disposição são influenciados por milhares de pequenas variantes, que podem se manifestar de maneiras diferentes conforme as circunstâncias. A equipe examinou cerca de 10 milhões de variantes genéticas em todo o genoma para investigar como elas se relacionavam com os Cinco Grandes.

As variantes comuns encontradas explicam apenas cerca de 5% a 10% da diferença de personalidade entre as pessoas. Os pesquisadores, porém, afirmam que essa influência não deve ser compreendida como uma divisão rígida entre genes e ambiente. O DNA e o contexto interagem continuamente, e as experiências podem ser o meio pelo qual predisposições genéticas influenciam o desenvolvimento de uma pessoa.

Nas comparações familiares, cerca de 96% da influência genética associada à personalidade veio diretamente do próprio DNA. O resultado contrasta com pesquisas sobre escolaridade, nas quais parte do que parece ser efeito genético pode refletir o privilégio dos pais ou o ambiente doméstico.

“Vejo as 1.260 variantes como uma espécie de prova de que agora temos poder para responder a todas essas outras perguntas que não conseguíamos responder antes”, disse Elliot Tucker-Drob, professor de psicologia da Universidade do Texas em Austin e um dos líderes do estudo.

Traços e comportamentos

A extroversão foi relacionada a 258 variantes genéticas, número 15 vezes maior que o conhecido anteriormente. Um perfil genético associado a níveis elevados do traço pareceu reduzir o risco de ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático, condições ligadas à internalização do sofrimento. Ao mesmo tempo, também houve associação com condições do neurodesenvolvimento, como o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade.

A conscienciosidade, relacionada à produtividade e à organização, apareceu associada a uma maior propensão para praticar exercícios, escolher alimentos de baixa caloria e dormir bem. Escores genéticos desse traço também ajudaram a prever quem deixaria centros urbanos e se mudaria para subúrbios abastados até os 50 anos.

O neuroticismo, descrito como tendência à instabilidade emocional, esteve correlacionado a 10 transtornos psiquiátricos, além de índice de massa corporal mais alto e taxas maiores de tabagismo. Pessoas com perfis genéticos elevados nesse traço também pareciam duvidar mais de si mesmas durante as pesquisas, escolhendo com frequência respostas como “não sei”.

Novas perguntas

As variantes associadas ao neuroticismo foram especialmente ativas nas células cerebrais, mas a análise não encontrou um sinal específico no sistema de serotonina. Dalton Conley, sociólogo da Universidade Princeton que não participou da pesquisa, afirmou que o resultado coloca em dúvida a teoria de que o neuroticismo seria impulsionado principalmente por diferenças nos níveis dessa substância química. “Eu não diria que isso enterra essa teoria para sempre”, disse, “mas certamente lança dúvidas”.

A pesquisa também analisou os relacionamentos. Ao contrário do que ocorre com características como o nível de escolaridade, os traços de personalidade dos parceiros quase não mostraram o chamado acasalamento seletivo: as variantes genéticas ligadas à personalidade foram combinadas, em sua maioria, ao acaso.

As personalidades reais dos cônjuges, especialmente a abertura à experiência, às vezes apresentaram correlação. Uma possibilidade considerada é que a convivência cotidiana torne as pessoas mais parecidas ao longo do tempo.

Para Tucker-Drob, a retomada dos estudos genéticos sobre personalidade permite investigar relações com saúde, hábitos, escolhas de estilo de vida, mercado de trabalho, sistema educacional e estabilidade conjugal. A área havia perdido espaço na última década, quando a maior parte dos traços de personalidade não era considerada clinicamente relevante. O novo conjunto de dados amplia as ferramentas para estudar os mecanismos biológicos relacionados à forma como as pessoas pensam, sentem e se comportam.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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