SÃO PAULO — O Bares Pela Democracia declarou apoio a candidaturas que considera alinhadas à defesa da democracia, da cultura e dos direitos sociais nas eleições de 2026. O coletivo afirma que a escolha eleitoral deve levar em conta o risco de retorno de um projeto político associado à ameaça, ao medo e ao desmonte das políticas culturais.
Entre os nomes apoiados estão Jessy Dayane, candidata a deputada estadual pelo PT; Carmen Silva, candidata a deputada estadual pelo PSB; a Bancada Feminista pelo Psol; Luna Zarattini, candidata do PT a deputada federal e eleita vereadora de SP em 2024; além de Fernando Haddad e Lula. Para o Senado, o grupo cita Marina Silva.
A relação com o coletivo é apresentada como resultado de uma atuação anterior. Jessy Dayane é descrita como advogada, mestre em políticas públicas, produtora cultural, integrante do MST e articuladora entre movimentos sociais e bares de São Paulo. Carmen Silva é uma das fundadoras do Movimento Sem-Teto do Centro e referência da Ocupação 9 de Julho, que recebeu os primeiros festivais do grupo em 2021.
A Bancada Feminista é formada por Paula Nunes, Simone Nascimento, Sirlene Maciel, Camila Lisboa e Raquel Gualberto. O texto também menciona a atuação de Silvia Ferraro, Carolina Iara, Dafne Sena e Natália Chaves na Câmara Municipal de São Paulo, inclusive na orientação de bares sobre os treinamentos da Lei Não Se Cale.
Cultura e memória do governo Bolsonaro
Ao justificar sua posição, o coletivo relembra medidas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro. O Ministério da Cultura foi extinto no início da gestão e transformado em secretaria especial, inicialmente ligada ao Ministério da Cidadania e depois ao Ministério do Turismo. O grupo também cita a redução do teto de captação da Lei Rouanet, cortes de cachês, cancelamento de editais, censura a espetáculos e exposições e o desmonte de órgãos como Ancine e Iphan.
O artigo menciona ainda os vetos às leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2, posteriormente revertidos pelo Congresso, e a indicação de Sérgio Camargo para a Fundação Cultural Palmares. Também relembra o discurso do então secretário da Cultura, Roberto Alvim, em 2020, com estética nazista, além da condução do governo durante a pandemia, que, segundo o coletivo, resultou em 700 mil mortos e queda da taxa de vacinação.
O Bares Pela Democracia reconhece que reúne opiniões e correntes diversas e afirma que não é possível dizer que todos os integrantes apoiam os mesmos candidatos. Ainda assim, defende o voto em candidaturas que respeitem as regras básicas de convivência social e rejeita a ideia de equivalência entre os lados em disputa. O coletivo também registra críticas ao governo Lula e ao papel do Centrão, mas afirma não imaginar que o cenário atual possa ser pior que o período recente que descreve como marcado por agressões e intolerância.


