SÃO PAULO — Vestidos e outras peças de roupa deixam de aparecer como itens de moda e passam a funcionar como esculturas, instalações e elementos de escrita na exposição DITO! Aquilo que Não Foi, em cartaz na galeria Fonte, em Pinheiros. A mostra reúne 28 trabalhos produzidos por Fause Haten este ano e pode ser visitada até 12 de setembro.
Chamadas pelo artista de “objetos não vestíveis”, as roupas servem de base para obras que abordam violência e invisibilidade. A exposição é a primeira individual de Haten em sua atuação como artista visual, embora sua trajetória tenha transitado por diferentes campos.
Uma linguagem além da moda
Haten afirma que sua aproximação com a performance começou em 2006, quando entrou em uma escola de teatro. A partir dessa experiência, passou a se perceber também como performer. Ao mesmo tempo, identificou uma insatisfação com a moda e procurou novas possibilidades para as peças que criava. “Comecei a dar outras funções para a roupa”, diz.
A curadoria é de Daniel Rangel, que apresenta o conjunto como uma produção que não se limita a categorias definidas. Pintura, escultura, instalação, figurino e escrita aparecem combinados nas obras, que, para ele, ocupam uma zona de fronteira da arte contemporânea.
Rangel afirma que, ao tratar vestidos e outras peças como esculturas e instalações e integrar palavras às obras, Haten atua em um campo expandido. As roupas, nessa perspectiva, não são apenas materiais: também carregam referências a tempo, classe, desejo, comportamento e memória. Esses elementos são acionados pelas imagens e frases presentes nos trabalhos.
A exposição reúne, assim, uma produção centrada na experimentação e na passagem entre linguagens. Para Haten, a mostra dá forma a temas que precisam ser colocados em discussão: “Com DITO!, exponho coisas que precisam ser faladas”.
A galeria Fonte fica na Rua Mourato Coelho, 751, em Pinheiros, São Paulo.


