A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirma que relatórios de inteligência da Polícia Federal reforçam suspeitas de irregularidades nas investigações que envolvem o empresário. Para os advogados, os documentos indicam direcionamento na atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e da própria PF, o que justificaria o arquivamento do caso.
O advogado Guilherme Suguimori, responsável pela defesa, afirmou em nota que a suspeita de “contaminação” já havia sido levantada e que os relatórios agora divulgados a confirmam. Os documentos registram questionamentos sobre a legitimidade, os limites e o direcionamento de inquéritos, além de críticas à inclusão de Fábio Luís como investigado sem “ausência de lastro”.
Relatórios e disputa no Supremo
Os documentos foram divulgados pelo ministro Alexandre de Moraes, que os utilizou para incluir André Mendonça no inquérito das Fake News. A acusação é de que Mendonça teria conduzido de forma irregular investigações relacionadas ao caso Master e à Operação Sem Desconto.
A divulgação ocorreu depois de Mendonça tornar público um relatório da PF com diálogos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes. O episódio ampliou a tensão entre os ministros do Supremo.
Os relatórios de inteligência são apócrifos, não têm cabeçalho oficial e se definem como “sem valor probatório”. Também não apresentam elementos de corroboração e classificam sua confiabilidade como “baixa ou moderada”. Os próprios documentos afirmam que não podem ser usados para atribuir infrações penais ou disciplinares. Ainda assim, as defesas dos alvos das operações avaliam pedir a anulação das investigações.
Origem da investigação
Fábio Luís passou a ser investigado após a PF identificar sua relação com Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e suspeito de liderar um esquema de desvios. A corporação também identificou pagamentos feitos por Antunes à lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís, para intermediar negócios no governo federal.
As menções a Fábio Luís foram identificadas em dezembro do ano passado, mas, até julho, não havia providência concreta. André Mendonça pediu o material bruto de celulares e quebras de sigilo diante da suspeita de que o filho do presidente estaria sendo protegido.
Após cobranças, a PF pediu a abertura de três inquéritos contra Fábio Luís, por suspeitas de tráfico de influência e outros crimes relacionados ao governo federal. Os pedidos citam conversas do celular de Roberta Luchsinger sobre intermediação de negócios no Ministério da Saúde, na Dataprev e em outros órgãos. Dois inquéritos foram distribuídos a Mendonça, enquanto um terceiro ficou com o ministro Flávio Dino.
A defesa diz que Fábio Luís permanece à disposição das autoridades e provará sua inocência. Para os advogados, ilegalidades, parcialidades e direcionamento político, se confirmados, exigem o arquivamento definitivo.



