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Cultura

Pinacoteca apresenta trajetória de Ismael Nery em mostra com obras raras

Exposição em São Paulo reúne pinturas, desenhos e documentos da trajetória do artista, do primeiro trabalho à série produzida durante a doença.

Pinacoteca apresenta trajetória de Ismael Nery em mostra com obras raras
Foto: Isabella Matheus/Pinacoteca/divulgação

A preservação da obra de Ismael Nery dependeu de uma decisão tomada contra a vontade do próprio artista. No leito de morte, ele pediu que sua produção fosse destruída. O amigo Murilo Mendes, poeta, desobedeceu e manteve o acervo que hoje permite conhecer a trajetória do pintor, desenhista e poeta visual ligado ao modernismo e ao surrealismo.

Essa história está entre os eixos de Ismael Nery: Armadilha Moderna, exposição que a Pinacoteca de São Paulo inaugura neste sábado (5). A mostra reúne cerca de 230 obras e permanece em cartaz até 31 de janeiro de 2027.

Da formação ao último conjunto

O percurso começa com o primeiro desenho feito por Nery, aos 16 anos, e chega à série História de Ismael Nery, produzida enquanto ele tratava a tuberculose em um sanatório. O conjunto relaciona episódios de sua vida a diferentes momentos da humanidade.

A exposição também apresenta quase 60 óleos sobre tela, além de aquarelas e trabalhos em nanquim. O curador Yuri Quevedo estima que o artista tenha produzido de 100 a 120 pinturas a óleo ao longo da vida e afirma que foi difícil reunir as peças, espalhadas por coleções privadas.

Nery morreu aos 33 anos, em decorrência de complicações da tuberculose. Nascido em Belém do Pará, mudou-se para o Rio de Janeiro com a família aos nove anos. Estudou como aluno livre na Escola Nacional de Belas Artes e passou pela Académie Julian, em Paris. Em viagens à Europa, teve contato com nomes do surrealismo e do cubismo, como André Breton, Marcel Noll e Marc Chagall.

Um modernismo sem exaltação nacionalista

A mostra também investiga a posição de Nery diante do modernismo. Para Quevedo, o artista dialogava com aquela geração, mas não seguia a valorização da natureza ou o nacionalismo associados a parte do período. Sua atenção estava voltada aos dilemas subjetivos do homem moderno.

Nery é conhecido ainda pelos autorretratos e pelas representações de sua esposa, a poeta Adalgisa Nery. Em algumas obras, os dois aparecem juntos, com formas andróginas que sugerem uma fusão. Quevedo relaciona essa abordagem de identidade e sensualidade a uma leitura possível no presente, embora ela possa parecer anacrônica para os anos 20.

Memória construída depois da morte

A imagem pública do artista também foi formada pelos textos de Murilo Mendes e Adalgisa Nery. Após a morte de Ismael, Adalgisa publicou A Imaginária, livro que narra parte de sua história e contribuiu para sua projeção como uma das poetas mais importantes dos anos 40.

Outro relato de Murilo Mendes diz que Nery teria previsto a própria morte aos 26 anos. O artista acreditava que morreria jovem, de fome e de sede.

A exposição está na Pinacoteca de São Paulo, na Praça da Luz, 2, Luz. O ingresso custa R$ 40,00, com gratuidade aos sábados.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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