Bernard Arnault está reorganizando a estrutura societária de seu grupo para concentrar em uma única entidade o controle familiar sobre a LVMH, conglomerado dono de marcas como Louis Vuitton, Dior, Tiffany & Co. e Moët & Chandon.
Aos 77 anos, o fundador e CEO prepara a fusão de duas companhias de participações controladas pela família. A operação, divulgada na quarta-feira à noite, 23 de setembro, prevê a incorporação dessas empresas pela Christian Dior, que passará a se chamar Agache.
A nova companhia reunirá diretamente 49,76% do capital da LVMH e 65,55% dos direitos de voto. Ao considerar outras participações, a família Arnault ficará com 50,33% do capital e 66,27% dos votos. O controle do conglomerado passará a ser exercido por uma única entidade.
Estrutura para preservar o comando
A Christian Dior será convertida em uma sociedade em comandita por ações, conhecida pela sigla SCA. Esse modelo é usado por famílias empresariais na França para manter o controle dos negócios ao longo das gerações. Os sócios comanditados administram a companhia e respondem de forma ilimitada por suas obrigações, enquanto os acionistas têm responsabilidade restrita ao capital investido e não participam diretamente da gestão.
Com a mudança, Arnault continuará como gestor da companhia. A família também fará uma oferta pública de retirada pelas ações da Christian Dior que ainda não possui, equivalentes a 2,44% do capital. O pagamento será em dinheiro e a operação deverá ocorrer no primeiro trimestre de 2027, desde que seja aprovada pelo regulador francês.
A reorganização faz parte dos planos de sucessão de Arnault e da tentativa de manter a família alinhada nas decisões estratégicas. Seus filhos vêm sendo preparados para assumir funções de liderança, enquanto especulações sobre o sucessor definitivo ganharam força. Em julho de 2026, Arnault negou, em uma publicação na plataforma X, a existência de conflito interno entre os filhos após reportagens do Le Monde mencionarem possíveis desavenças.
Desempenho do grupo
A reestruturação ocorre enquanto investidores acompanham a capacidade da LVMH de manter seu desempenho em um período de desaceleração do setor de luxo. No primeiro semestre, o grupo registrou lucro líquido de € 5,7 bilhões, estável em relação ao mesmo período de 2025. A receita caiu 3%, para € 38,6 bilhões.
No ano, as ações acumulam queda de mais de 38%, e o valor de mercado da companhia chegou a cerca de € 196 bilhões.



