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Economia

Bravo Grafeno compartilha sala e contador com empresas ligadas ao Careca do INSS

Empresa de Flávio Bolsonaro está registrada em sala de Brasília ocupada por firmas de Antonio Carlos Camilo Antunes e pela contabilidade de seu sócio.

Bravo Grafeno compartilha sala e contador com empresas ligadas ao Careca do INSS
Foto: Antonio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", e o senador Flávio Bolsonaro

A Bravo Grafeno, empresa de capacetes ligada ao senador Flávio Bolsonaro (PL), está registrada na mesma sala em Brasília que pelo menos 16 empresas de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O endereço também está associado à Voga Serviços Contábeis, pertencente a Alexandre Caetano dos Reis, sócio de Antunes e responsável pela contabilidade do escritório de advocacia de Flávio.

A relação aparece no contexto das investigações sobre fraudes que, entre 2019 e 2024, teriam lesado mais de 4,3 milhões de aposentados e pensionistas e causado prejuízo de R$ 2 bilhões aos cofres públicos. Antunes é apontado nas investigações como operador de empresas usadas para movimentar recursos recebidos por associações de aposentados.

A sala compartilhada

A Bravo Grafeno e as empresas ligadas a Antunes têm como endereço cadastral a sala 2601, no bloco D do Edifício Connect Towers, em Águas Claras, região administrativa do Distrito Federal. O local fica no 26º andar, onde a Voga ocupa quatro salas.

Na portaria, uma funcionária informou que a sala 2601 era ocupada pela Voga. A recepção da contabilidade funciona na sala 2603. O advogado Thalles Setúbal confirmou que a empresa presta serviços à Bravo Grafeno, mas negou que a sala 2601 pertencesse à Voga. Funcionários que circulavam pelo corredor, porém, orientaram a entrada pela recepção da sala vizinha quando a 2601 estava fechada.

Questionado sobre a relação da contabilidade com Flávio Bolsonaro e as investigações da Polícia Federal, Thalles afirmou: “A gente se posiciona nos autos, não com imprensa”.

Alexandre Caetano dos Reis é apontado como o elo conhecido entre o senador e Antunes. Ele está preso desde dezembro de 2025 e, segundo as investigações, atuou como contador de empresas relacionadas ao Careca do INSS. Também foi sócio de Antunes em uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas.

A empresa de capacetes

A Bravo Grafeno foi aberta pela família Bolsonaro em junho de 2024, com capital social de R$ 100 mil. O site vende dois modelos de capacete por R$ 598,90 e viseiras branca e preta por R$ 54. O domínio foi registrado em julho de 2024 em nome de Flávio Bolsonaro.

Jair Bolsonaro, que já participou da sociedade, divulga os produtos da marca. Em vídeo publicado no site, ele diz: “Com capacete Bravo de grafeno, você garante sua liberdade e segurança. Assim como eu, esse é 100% brasileiro”. O ex-presidente lançou o capacete para motos em 11 de março de 2025, durante o Salão das Motopeças, em São Paulo. Nelson Piquet também divulgou a marca em uma live em 2025.

Carlos Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, também aparece no quadro societário. A empresa tem ainda outros três sócios, entre eles Pedro Luiz Dias Leite, o personal trainer Paulo Giordano Bernardi e Fernando Nascimento Pessoa, ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Empresas ligadas ao investigado

Levantamento em dados públicos da Receita Federal identificou ao menos 16 empresas de Antunes registradas no mesmo endereço da Bravo Grafeno. O conjunto inclui negócios de consultoria, construção, incorporação, comércio, locação de veículos e call center. Oito foram abertas em 5 de outubro de 2023, e a RPLD Construtora e Incorporadora foi registrada um mês depois da Bravo Grafeno.

A sala também aparece como endereço da Prospect Consultoria Empresarial, empresa que, segundo o relatório final da CPMI, recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas. Desse total, R$ 115,9 milhões vieram da Unaspub, R$ 27,1 milhões da Ambec e R$ 19,8 milhões da CBPA.

Antunes está preso preventivamente desde setembro de 2025, no Presídio da Papuda, em Brasília. Flávio Bolsonaro já negou envolvimento no escândalo do INSS, mas não havia se pronunciado sobre o caso até o fechamento das informações. A defesa de Antunes também não havia respondido.

Letícia Caetano dos Reis, irmã de Alexandre, é administradora do escritório de advocacia de Flávio. Ela afirmou, em 30 de junho de 2022, que chegou ao escritório por indicação de Willer Tomaz, advogado e amigo do senador. Tomaz tem procuração nos autos da investigação para defender Alexandre.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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