O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou o monitoramento eletrônico por tornozeleira de Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, ex-ministro do Trabalho de Jair Bolsonaro e ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão foi tomada nesta terça-feira, após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A PGR recomendou a retirada do equipamento porque, segundo sua avaliação, Ahmed não teve comportamento prejudicial às investigações. O ministro, relator do caso no STF, substituiu a tornozeleira por outras medidas cautelares. O ex-ministro fica proibido de manter contato com outros investigados e de deixar o país. O passaporte deverá ser entregue nas próximas 24 horas.
Investigação sobre descontos no INSS
Ahmed foi preso em novembro do ano passado no âmbito de uma operação da Polícia Federal (PF) que apura descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. A investigação atribui a ele um papel estratégico no funcionamento e na blindagem do esquema.
De acordo com os investigadores, o ex-ministro era identificado pelos apelidos Yasser e São Paulo. Mensagens enviadas por WhatsApp registrariam agradecimentos pelo pagamento de valores indevidos. Oliveira também alterou o nome para Ahmed Mohmad Oliveira Andrade. Em uma planilha de fevereiro de 2023, aparece uma anotação de repasse de R$ 100 mil associada a ele.
A PF apontou fortes indícios de que as fraudes estavam em pleno funcionamento durante o período em que Ahmed ocupou o Ministério da Previdência, de março a dezembro de 2022, no governo Bolsonaro. Ele exerceu o cargo de ministro do Trabalho e presidiu o INSS.
Em depoimento à CPI do INSS, em setembro do ano passado, o ex-ministro negou as irregularidades. Na ocasião, afirmou que eventuais abusos teriam sido cometidos por entidades externas e defendeu a investigação e a punição de responsáveis, incluindo servidores que tivessem participação.



