O Conselho de Supervisão da Meta pediu que a empresa não substitua o programa de verificação de informações feito por jornalistas pelas chamadas Notas da Comunidade. A recomendação foi apresentada após o anúncio de testes do novo sistema em 16 países da América Latina.
Para o conselho, os mecanismos têm funções diferentes e devem ser mantidos como instrumentos complementares. A checagem profissional é realizada por jornalistas, enquanto as notas são produzidas e aprovadas por usuários das redes sociais. “Instamos a Meta a não apresentar as notas da comunidade como uma substituição direta da verificação”, afirmou o órgão em comunicado.
Riscos apontados pelo conselho
A avaliação é que as notas podem ser contraproducentes ou manipuláveis em regimes repressivos, contextos de forte polarização e países com redes de desinformação em larga escala. O conselho também alertou para a possibilidade de danos no mundo real em situações associadas à repressão de direitos humanos e à violência política.
A Meta deverá considerar os riscos específicos de cada país antes de decidir se passa da fase de testes para a implementação do sistema. Os países incluídos são Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.
O Brasil não faz parte da lista, embora seja o maior mercado das plataformas da Meta e realize eleições presidenciais em outubro.
Como funciona o modelo
Na quarta-feira, a empresa liderada por Mark Zuckerberg anunciou o início dos testes latino-americanos como parte de um movimento para substituir o programa de verificação profissional de conteúdos. A Meta já havia encerrado esse modelo nos Estados Unidos no ano passado e adotado as Notas da Comunidade, baseadas em colaboração em massa, como ocorre na plataforma X, de Elon Musk.
Pelo novo sistema, não são redações nem jornalistas profissionais que analisam informações potencialmente enganosas. A tarefa cabe a usuários que atendam a requisitos como ter pelo menos 18 anos, manter uma conta criada há no mínimo seis meses e não ter violado repetidamente as normas da Meta.
O Conselho de Supervisão reconhece que as notas podem contribuir para debates importantes e estimular a livre expressão, mas defende que isso não elimina a necessidade da verificação profissional. A Rede Internacional de Checagem de Fatos também questionou o anúncio e afirmou que o programa da Meta não é suficiente em contextos de alta desinformação.



