DALLAS — A Covenant informou ter registrado pedidos de cerca de US$ 130 milhões para seus sistemas de defesa, incluindo dois contratos iniciais com o governo dos Estados Unidos: um para o Exército e outro para a Marinha. A divulgação ocorreu junto à apresentação do Anthem, um sistema de mísseis de longo alcance e alta capacidade de carga.
A startup americana de tecnologia de defesa foi fundada em 2024 e operava em modo stealth desde então. Na quarta-feira, 9 de setembro, a empresa anunciou uma fábrica de 9,7 mil metros quadrados em Dallas. A produção em série está prevista para começar no primeiro trimestre de 2027, com capacidade de chegar a 5 mil unidades por ano.
Testes e capacidade de produção
Segundo a Covenant, o Anthem realizou mais de 200 voos desde agosto de 2025, incluindo vários testes com o Exército dos Estados Unidos no país e no exterior. A empresa afirma que esse processo permitiu avaliar a resistência de cada elemento do projeto.
A companhia apresenta o míssil como uma alternativa voltada à produção em larga escala, com alcance e capacidade de carga que, segundo seu comunicado, seriam oferecidos a uma fração do custo de sistemas legados comparáveis no mercado. A justificativa está ligada ao ritmo de consumo de mísseis de ataque de precisão de longo alcance nos conflitos atuais, superior à capacidade de reposição da base industrial de defesa americana.
“Não nos faltam armas avançadas, mas sim, a quantidade necessária”, disse Mike Garcia, conselheiro da Covenant. Michael Kaufman, cofundador e CEO, afirmou que o Anthem foi concebido para representar risco a alvos fortificados em um conflito prolongado.
Além da unidade no Texas, a empresa mantém instalações na Alemanha, com 10,2 mil metros quadrados, e em Israel, com 2,9 mil metros quadrados. A expansão ocorre em um mercado no qual os Estados Unidos e aliados na Europa e na região da Ásia-Pacífico procuram adquirir armamentos de longo alcance ou recompor estoques.
Investidores e concorrência
A Covenant declarou ter captado mais de US$ 250 milhões em três rodadas de investimento. Entre os investidores estão Andreessen Horowitz, Founders Fund, Lux, 8VC, Aleph e Lightspeed.
A empresa também se posiciona em um setor disputado por Lockheed Martin, MBDA e Raytheon, além de novas companhias como Anduril, Destinus e Fire Point. A Raytheon produz os mísseis Tomahawk, cuja produção teria caído para 60 unidades por ano após a guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Em agosto, a empresa fechou um acordo de US$ 23 bilhões para ampliar esse volume para mil unidades anuais.
Parte da atenção sobre a Covenant está relacionada às conexões políticas de alguns investidores. Peter Thiel, um dos fundadores da Founders Fund, mantém laços estreitos com Donald Trump. A Aleph foi cofundada por Michael Eisenberg, conselheiro de Benjamin Netanyahu em questões relacionadas a Gaza e aos Estados Unidos.
Kaufman disse que os investidores não participam das decisões cotidianas da empresa e que a Covenant mantém cláusulas de confidencialidade com seus clientes. Na Europa, essas relações podem gerar questionamentos entre compradores que buscam reduzir a dependência de tecnologias americanas críticas, em meio ao aumento das tensões com Trump.



