O dólar à vista fechou a segunda-feira (28) em alta de 0,83%, a R$5,2264, maior valor de encerramento em seis meses. A valorização ocorreu em um dia de avanço da moeda norte-americana diante de divisas de países emergentes e foi acompanhada, no Brasil, pela divulgação de duas pesquisas sobre a eleição presidencial de domingo.
O levantamento BTG/Nexus apontou Luiz Inácio Lula da Silva com 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% de Flávio Bolsonaro. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, o resultado ainda configura empate técnico. Na pesquisa anterior, Lula também tinha 46%, enquanto Flávio aparecia com 45%.
A Quaest mostrou outro empate entre os dois candidatos, ambos com 42%. Uma semana antes, Flávio registrava 42% e Lula, 41%. A margem de erro do levantamento também é de dois pontos percentuais.
A leitura do mercado foi influenciada pela percepção de que notícias desfavoráveis a Flávio, como o aumento da vantagem numérica de Lula no levantamento BTG/Nexus, podem pressionar o câmbio. Lula é visto por parte dos agentes financeiros como um obstáculo ao controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação.
Fatores externos e indicadores
Além do cenário eleitoral, o movimento internacional contribuiu para a alta. O petróleo e os rendimentos dos Treasuries avançaram em meio ao impasse nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, depois de Donald Trump rejeitar um acordo no fim de semana. O dólar subiu diante do peso colombiano, do peso mexicano, do peso chileno, do rand sul-africano e do real.
Fernando Bergallo, diretor da FB Capital, atribuiu o avanço principalmente ao ambiente externo. “A semana começou com viés de alta para o dólar globalmente, pressionando o real aqui”, afirmou. Ele acrescentou que, depois, o cenário eleitoral contribuiu para a compra de dólares.
Na B3, o dólar futuro para outubro subia 0,67%, a R$5,2285, às 17h03. Durante o dia, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,1917 às 9h21 e a máxima de R$5,2266 às 12h33.
O Banco Central informou déficit em transações correntes de US$5,055 bilhões em agosto. O investimento direto no país alcançou US$7,396 bilhões. No boletim Focus, a projeção mediana para o dólar no fim deste ano permaneceu em R$5,20. A previsão de inflação passou para 4,99% em 2026 e 4,31% em 2027. As expectativas para a Selic ficaram em 13,50% neste ano e 12,00% no próximo, enquanto a taxa atual é de 13,75%.


