Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, confirmou nesta terça-feira (8) que aderiu voluntariamente ao acordo de delação premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A manifestação ocorreu em audiência com um juiz auxiliar do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que conduz o caso relacionado ao Banco Master.
A confirmação é uma etapa necessária para que o acordo seja submetido à homologação judicial. O documento foi assinado em 8 de agosto, mas Mendonça ainda não estabeleceu quando decidirá sobre sua validade.
De acordo com o depoimento, Mineiro teria movimentado aproximadamente R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 a pedido de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e de pessoas próximas ao empresário. Parte do dinheiro, segundo o relato, teria sido convertida em espécie para supostos pagamentos de propina.
Repasses para produção sobre Bolsonaro
Mineiro é proprietário da Entre Investimentos, empresa que também fez transferências relacionadas ao filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os valores teriam alcançado cerca de US$ 12,3 milhões e sido encaminhados ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, sob controle de um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
O empresário declarou à PGR que os recursos para a produção teriam sido pedidos a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.
Relato sobre entregas em dinheiro
Mineiro afirmou que recebia de Vorcaro e de pessoas ligadas a ele, incluindo Fabiano Zettel, pedidos enviados por WhatsApp para obter dinheiro vivo. Ele disse que transferia recursos a empresas indicadas pelos operadores e recebia deles as quantias em espécie.
Uma das companhias mencionadas seria uma distribuidora de combustíveis que já teria aparecido nas investigações da Operação Carbono Oculto, em São Paulo. As operações eram formalizadas em contratos de mútuo com a Entre Investimentos. Depois, o dinheiro era levado à sede da empresa, no Itaim Bibi, em São Paulo.
Segundo o depoimento, Mineiro acertava com Zettel, por mensagens, os locais de entrega. As malas ficariam no estacionamento da empresa ou na garagem do edifício onde Zettel residia. Mineiro disse receber 1% pelo serviço, enquanto os operadores ficariam com cerca de 4%.
O empresário entregou à PGR comprovantes de compra de malas, contratos de mútuo, registros de transferências bancárias e uma lista com datas e valores das operações.



