O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o bloqueio de bens no exterior pertencentes ao Banco Master e a empresas do grupo de Daniel Vorcaro. Os ativos foram avaliados em mais de R$ 2 bilhões e incluem imóveis nos Estados Unidos, embarcações, automóveis de luxo, obras de arte e recursos associados à venda de uma aeronave.
Foram relacionados no processo 18 bens no exterior, avaliados em R$ 1,9 bilhão. Como quatro itens não tiveram valor estimado, a avaliação total supera R$ 2 bilhões. Os investigadores, porém, não localizaram todos os bens e ativos listados. A decisão também atingiu R$ 21,4 bilhões em ativos de instituições financeiras liquidadas e imóveis vinculados às empresas.
Entre os bens estão um apartamento duplex na Florida, uma casa de veraneio com residência para visitas no mesmo Estado norte-americano e uma fazenda de luxo com residência no Colorado. A relação inclui ainda um iate, outras embarcações, uma Mercedes-Benz e um Ford Bronco. Também foram considerados R$ 280 milhões obtidos com a venda de uma aeronave.
No conjunto de obras de arte, há duas pinturas de Jean-Michel Basquiat, avaliadas em R$ 25 milhões e R$ 27,5 milhões. Um quadro de Picasso foi estimado em R$ 40 milhões. Também aparecem pinturas de Andy Warhol, Yayoi Kusama e Frederic Anderson, sem valores definidos.
Decisão e instituições atingidas
A autorização foi dada em 24 de julho, após pedido da Procuradoria-Geral da República apresentado em 19 de junho. A PGR afirmou que o sequestro dos ativos era necessário para evitar a dispersão do patrimônio e preservar a destinação legal e o valor de mercado dos bens arrecadados. O órgão também citou o prejuízo ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), financiado em grande parte por bancos e instituições públicas.
O bloqueio alcança o Banco Master, o Banco Master de Investimento, o Banco Letsbank e a Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. Também estão incluídos a Will Financeira Crédito, Financiamento e Investimento, o Banco Pleno, a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e o Banco Master Múltiplo.
A decisão se tornou pública depois que Edson Fachin, presidente do STF, determinou o levantamento do sigilo das investigações sobre as fraudes do Banco Master.



