O Festival Elemento em Movimento criou 300 oportunidades de trabalho para moradores de Ceilândia, no Distrito Federal, e estima que a programação gere R$ 5 milhões em retorno financeiro no território. A expectativa é que pequenos negócios faturem cerca de R$ 600 mil até o encerramento da 8ª edição, neste domingo (6).
A iniciativa combina atividades culturais, formação profissional e contratação de trabalhadores, empreendedores e produtores da própria comunidade. Para Cláudia Maciel, do Jovem de Expressão, esse modelo fortalece uma cadeia produtiva em que diferentes áreas do festival sustentam umas às outras. “O movimento da cultura gera o movimento do dinheiro, criando postos de trabalho e renda direta na periferia”, afirma.
Cultura e economia no território
A programação reúne profissionais como técnicos de som, expositores, seguranças, montadores de palco e artistas. A proposta é que os recursos circulem entre os trabalhadores e negócios locais, em vez de se concentrarem em bancos ou grandes centros. Cláudia Maciel também defende que a cultura produzida em Ceilândia não precisa ser levada de fora para dentro, mas receber infraestrutura, proteção e condições para ampliar atividades já existentes.
Idealizado há 17 anos, o festival foi criado com o objetivo de descentralizar a produção cultural. A primeira edição ocorreu em 2009. De acordo com Rayane Soares, do Jovem de Expressão, a presença de um evento de grande porte no território também movimenta setores como padarias, distribuidoras e transporte, além de gerar efeitos indiretos sobre a economia local.
O festival ainda oferece qualificação e experiência para jovens que passam a integrar a equipe de realização. Segundo a organização, alunos formados nas atividades têm a oportunidade de atuar em um evento de grande porte e ampliar suas possibilidades de trabalho no setor cultural.
Programação reúne formação e apresentações
A primeira parte do evento é a Conferência Diálogos em Movimento, com palestras, rodas de conversa e workshops até esta sexta-feira (4). Os temas incluem produção criativa, autonomia financeira, educação e saúde mental. Entre sábado (5) e domingo (6), a programação será dedicada às apresentações, com mais de 30 atrações musicais de artistas brasileiros, locais e internacionais.
O público também poderá visitar a Feira de Quebrada, a feira de publicações, arte gráfica e vinil e a Praça dos Esportes, que terá atividades de basquete, skate, parkour e slackline. O festival contará ainda com praça de alimentação.
A jornalista e autora Thamy Frisselli afirmou que o evento amplia a valorização da criatividade produzida nas periferias e aproxima jovens da cidadania. O rapper Marcelo Silva, conhecido como Max B.O, também destacou a oportunidade de participar da agenda e a formação de jovens nas comunidades. Para ele, festivais desse tipo reforçam o papel do rap na conscientização e nas lutas da população periférica.


