A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o fim do sigilo da investigação sobre o filme Dark Horse, que retrata a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A defesa também quer que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) só autorize o registro necessário à exploração comercial da produção depois que a origem, a regularidade e o destino do dinheiro forem comprovados.
O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino. Na petição, os advogados coordenados por Angelo Ferraro afirmam que precisam consultar os documentos já reunidos no inquérito para cruzar movimentações financeiras e identificar a origem e o destino dos recursos usados no filme.
Uma das frentes da apuração envolve a Entre Investimentos e Participações, empresa que teria intermediado transferências para o fundo americano Havengate, usado no financiamento da obra. A empresa é comandada pelo empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.
Freixo firmou um acordo de delação premiada para explicar repasses feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ao filme. Os recursos teriam sido enviados a pedido do senador Flávio Bolsonaro. O empresário deve depor no gabinete do ministro André Mendonça, no STF, na próxima terça-feira (8).
A investigação também reúne informações sobre empresas ligadas a Karina Gama, proprietária da produtora Go Up, e sobre companhias subcontratadas que, conforme a petição, teriam vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A campanha de Lula sustenta ainda que pode ter havido uso de recursos de emendas parlamentares no financiamento da produção.
Os advogados afirmam que a ausência de transparência e a suspeita de ocultação de valores deixam questões pendentes. Eles temem que o filme seja liberado para exibição durante o período eleitoral antes que o financiamento esteja completamente esclarecido. No pedido, a defesa diz que “há muito a ser investigado”, diante da falta de transparência atribuída aos envolvidos e das informações sobre valores ocultados.


