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Economia

Greve da Caixa trava financiamentos e pressiona vendas e obras imobiliárias

Paralisação afeta contratos de imóveis, repasses do Minha Casa, Minha Vida e liberações para obras de construtoras.

Greve da Caixa trava financiamentos e pressiona vendas e obras imobiliárias

A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal, iniciada em 10 de setembro, já interfere nas vendas de imóveis e no financiamento de obras de construtoras. O banco responde por dois terços dos financiamentos habitacionais do país e concentra todas as operações do Minha Casa, Minha Vida.

A Caixa formaliza diariamente uma média de 3,2 mil contratos de financiamento imobiliário, que movimentam R$ 920 milhões. Considerando 13 dias de paralisação, uma estimativa de que 20% dos contratos tenham tido a tramitação interrompida indica 8,3 mil vendas comprometidas. Se a proporção chegar a 50%, o número sobe para 20,8 mil.

A greve não interrompeu todas as atividades do banco. Na região metropolitana de São Paulo, 293 agências estavam fechadas, conforme o Sindicato dos Bancários. Em outras unidades e departamentos, o expediente foi reduzido. Não havia, até então, um balanço nacional.

Efeitos sobre vendas e obras

O financiamento é parte central da venda de imóveis porque a abertura de contas e o envio de documentos para análise de crédito dependem, em grande medida, das agências. Correspondentes bancários continuam recebendo solicitações e documentos, mas a aprovação final depende das equipes da Caixa.

O impacto é maior no Minha Casa, Minha Vida. Nesse programa, a construtora encaminha o comprador ao financiamento logo depois da assinatura do contrato de compra e venda da unidade na planta. Sem a conclusão dessa etapa, a venda não é confirmada e o dinheiro não é liberado à empresa.

Além dos novos contratos, a paralisação atrasa o repasse de recursos para empreendimentos já financiados. As construtoras recebem parcelas mensais depois que um inspetor verifica o avanço da obra. A medição passa então por uma análise interna de conformidade, que autoriza ou não a liberação.

José Urbano Duarte, especialista em crédito imobiliário e ex-vice-presidente de habitação da Caixa, afirmou que haverá acúmulo de operações e que a normalização da contratação de financiamentos deverá levar algum tempo depois do fim da greve. A BRZ Empreendimentos também apontou efeitos na cadeia que vai da assinatura da venda à liberação dos recursos para as obras.

A incorporadora, especializada no Minha Casa, Minha Vida e com atuação em 32 cidades de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, estima impacto de R$ 24 milhões no fluxo de caixa. Desse valor, R$ 17 milhões correspondem a 196 vendas de apartamentos com contratos de financiamento retidos. Outros R$ 7 milhões estão relacionados a repasses atrasados para obras de 14 canteiros.

A empresa informou que dará prioridade ao pagamento dos funcionários e que começou a discutir novos prazos com fornecedores de serviços e materiais. Uma grande construtora listada na bolsa avaliou, sob reserva, que o problema é mais intenso nas cidades do interior com apenas uma agência, enquanto as capitais ainda têm alternativas de atendimento.

Medição remota

A expectativa era que a greve terminasse na segunda-feira (21), mas não houve acordo entre a direção da Caixa e os funcionários. Na terça-feira (22), diante da continuidade do movimento, o banco comunicou às construtoras que passaria a aceitar a medição remota dos canteiros. As empresas devem enviar uma planilha preenchida online enquanto durar a paralisação.

Depois do encerramento da greve, os técnicos voltarão a fazer as medições em campo. Para José Urbano Duarte, o procedimento já foi usado durante a pandemia e pode permitir que a liberação das parcelas avance com relativa rapidez, embora ainda existam atrasos acumulados.

Até o fechamento, no dia 23, a Caixa não havia informado quantas agências estavam fechadas.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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