O Ibovespa terminou o pregão aos 185.992,03 pontos, com avanço de 0,24%, apoiado pela maior disposição dos investidores a assumir riscos nos mercados internacionais. O índice chegou a 186.885,23 pontos, mas se afastou desse nível nos minutos finais, após um ajuste.
A reação positiva no exterior ajudou a reverter a pressão inicial sobre a bolsa brasileira. O anúncio do reajuste do Bolsa Família levou o mercado a começar o dia em baixa, diante da expectativa de impacto fiscal relevante a partir do ano que vem. Durante a tarde, porém, o ambiente favorável nas praças globais manteve o índice em território positivo.
A maior parte das ações das principais empresas da B3 fechou em alta. A Petrobras terminou próxima da estabilidade, mesmo com a queda do petróleo, enquanto a Vale subiu mais de 2%. O giro financeiro do pregão foi de R$ 18 bilhões.
O Ibovespa acumula queda de 0,65% na semana até agora, mas registra alta de 4,83% no mês e de 15,4% no ano. O otimismo relacionado às eleições continua entre os fatores associados ao desempenho do indicador.
O apetite por ativos de maior risco também apareceu no desempenho do EEM, o maior ETF ligado a ações de mercados emergentes negociado em Nova York, que subiu quase 2% no dia.
Eduardo Gonçalves, portfólio manager da Aurum Wealth Management, avaliou que o reajuste do Bolsa Família prejudica a percepção sobre a situação fiscal e tende a pesar sobre os ativos de risco. Para ele, o desempenho externo compensou esse efeito: “o que está segurando a bolsa é o lado externo”. Gonçalves também afirmou que o aumento de juros pelo Federal Reserve, anunciado na quarta, foi absorvido pelos mercados, enquanto os rendimentos dos Treasuries recuaram.
Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, classificou o reajuste de 15% do Bolsa Família como uma notícia pontual por enquanto. Ele destacou que as pesquisas eleitorais seguem relevantes para os investidores e mostram Flávio Bolsonaro (PL) ganhando força nas intenções de voto. Na avaliação de Mollo, parte do mercado associa a chapa a uma probabilidade maior de adoção de uma política fiscal mais austera.
Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, lembrou que Jair Bolsonaro também elevou o valor do benefício na reta final da última eleição presidencial e, ainda assim, perdeu a disputa. Para ele, esse antecedente sustenta a avaliação de que o aumento, isoladamente, não garantiu o efeito eleitoral esperado.


