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Economia

Memória do 11 de setembro combina museu, escola e silêncio em Nova York

A cidade preserva nomes, objetos e relatos, mas escolas e bombeiros adotam abordagens diferentes para ensinar às novas gerações o que ocorreu em 2001.

Memória do 11 de setembro combina museu, escola e silêncio em Nova York

No Brooklyn, uma unidade de bombeiros mantém na fachada os nomes e as fotos dos 12 integrantes mortos nos atentados de 11 de setembro de 2001. O Squad 1 também recebe crianças do jardim de infância de escolas públicas do bairro Park Slope para falar sobre os riscos do fogo e mostrar os equipamentos usados pelos bombeiros. O assunto, porém, não é levado para essas atividades.

A escolha resume uma das formas pelas quais Nova York preserva a memória do episódio: há espaços dedicados à identificação das vítimas e à exposição de seus efeitos, mas também situações em que a lembrança é transmitida de maneira indireta, por meio de noções de serviço, segurança e cuidado com a comunidade.

O memorial e a distância entre as gerações

No local onde ficavam as Torres Gêmeas, o 9/11 Memorial & Museum reúne 83 mil artefatos. Dois grandes espelhos d’água ocupam as áreas das antigas torres, com os nomes das vítimas gravados em mármore nas bordas. Uma árvore foi plantada para cada morto.

Inaugurado em 2014, o museu oferece tours gratuitos para estudantes da 3ª à 12ª série matriculados em escolas de Nova York, Nova Jersey e Connecticut. Jennifer Lagasse, diretora de educação da instituição, afirma que a visita dá importância tanto ao 11 quanto ao 12 de setembro, como representação do mundo transformado pelos ataques. “Esta geração herdou uma nova realidade”, diz.

O complexo também evidencia a disputa sobre como ocupar o espaço da tragédia. Famílias dos mortos defenderam que não fossem erguidos prédios no local das torres. O novo World Trade Center, batizado de Freedom Tower, foi construído a poucas quadras dali.

A distância emocional em relação aos atentados aparece entre estudantes que nasceram depois de 2001. Seis alunos do Brooklyn, hoje com 16 anos e cursando a 11ª série em escolas públicas diferentes, relataram experiências variadas: alguns estudaram o tema superficialmente na 8ª série; outros receberam material mais detalhado; houve também quem nunca tivesse tratado do assunto na escola e o tivesse conhecido por meio dos pais. Nenhum havia visitado o memorial com a escola.

Gabriela Chiavenato, de 25 anos, nasceu e cresceu em Nova York e é filha de um casal de paulistanos. Ela conta que estudou os atentados no Ensino Fundamental II e no Ensino Médio, fez pesquisas e apresentações e visitou o museu com a escola. Para ela, a ligação inicial com o episódio foi mais factual do que emocional. “Esta geração herdou uma nova realidade”, explicou a diretora do museu.

O ensino nas escolas

O Departamento de Educação de Nova York reúne livros, links e orientações para professores que pretendem abordar o 11 de setembro em Estudos Sociais. O tema não é obrigatório, e 11 de setembro não é feriado nacional nem estadual: as escolas funcionam normalmente nessa data.

Entre os materiais está um guia produzido pela NaliniKIDS em parceria com a Fundação Nacional dos Bombeiros Falecidos. Voltado a professores de crianças de 4 a 8 anos, do jardim de infância à 2ª série, o documento recomenda apresentar o episódio como uma grande emergência. Sugere palavras como aniversário, emergência, herói, memória e serviço, e orienta a não usar ataque, terror, batida, colapso ou fogo.

A seleção do departamento inclui 16 livros e cerca de 20 links para museus, páginas de imprensa, documentários, propostas de atividades e textos sobre como lidar com crianças vítimas de traumas. O próprio material alerta que ensinar os ataques pode ser difícil: para quem se lembra daquele dia, retomar as memórias pode provocar luto e dor; para quem não viveu o acontecimento, pode ser complicado compreender a dimensão de seu impacto.

As aulas começaram em 10 de setembro, um dia antes do aniversário dos atentados. Professores que estavam em sala de aula em 11 de setembro de 2001 precisam abordar o tema ao lado de colegas que eram estudantes naquela época. Para os alunos mais jovens, a referência direta ao acontecimento é cada vez menor.

O que ficou depois do colapso

Os ataques suicidas às Torres Gêmeas deixaram quase 3 mil vítimas fatais em uma manhã. Entre os mortos nas torres estavam 372 estrangeiros de cerca de 90 nacionalidades, incluindo os brasileiros Ivan Kyrillos, Anne Marie Ferreira e Sandra Fajardo Smith. O número de bombeiros mortos chegou a 343.

Depois do colapso, o fogo continuou por 99 dias. As botas dos bombeiros derretiam durante a busca por corpos, trabalho que durou quase um ano. Uma webcam ao vivo da CNN acompanhou a limpeza dos escombros durante oito meses.

Muitos trabalhadores envolvidos nessa tarefa passaram a apresentar problemas respiratórios, câncer e outras doenças ao longo das últimas duas décadas, em razão da qualidade do ar. O prefeito Zohan Mamdani levantou o assunto nesta semana ao divulgar documentos que haviam sido ocultados por governos anteriores.

Gabriela também relaciona sua experiência a um mundo posterior aos ataques. Entre 2002 e 2011, o número de ataques terroristas mais que quadruplicou ao redor do planeta, segundo o Instituto para Economia e Paz. Ela afirma que isso a deixa mais alerta em concertos de música e outros lugares públicos. Ao lembrar que a agência americana de segurança dos transportes foi criada em novembro de 2001, diz que só mais tarde passou a se conectar com os relatos de quem viveu aquele dia.

A memória, em Nova York, permanece distribuída entre o museu, as escolas, as famílias e os quartéis. No Squad 1, as crianças aprendem como os bombeiros salvam vidas. Sobre o 11 de setembro, o silêncio continua sendo parte da forma escolhida para lembrar.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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