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Economia

ONU cobra regras para IA enquanto Europa busca autonomia tecnológica

Volker Türk alertou para riscos aos direitos humanos, e Christine Lagarde defendeu mais capacidade computacional no bloco europeu.

ONU cobra regras para IA enquanto Europa busca autonomia tecnológica

O alto comissário da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu nesta segunda-feira que governos e empresas adotem medidas urgentes para regulamentar a inteligência artificial. Ele afirmou que os sistemas mais avançados representam riscos sem precedentes e podem afetar direitos humanos, inclusive o direito à vida.

Türk disse que a humanidade está diante de uma mudança irreversível, com efeitos também sobre as futuras gerações. O apelo foi dirigido especialmente aos principais desenvolvedores de IA, concentrados principalmente nos Estados Unidos e na China, para que atuem na redução dos riscos e participem de estruturas multilaterais.

O alto comissário já havia feito um alerta em 7 de setembro, durante uma reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, ao classificar a inteligência artificial como um possível risco existencial para a humanidade.

Europa quer avançar sem depender de outros países

Na Europa, a discussão combina preocupação com segurança e defesa da autonomia tecnológica. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou que o bloco pode perder o acesso à tecnologia se não desenvolver capacidade própria de produção de IA.

Em Viena, Lagarde citou aplicações que poderão se disseminar nos próximos anos, como controle de mercadorias, auditoria de declarações de imposto de renda, operação de trens, monitoramento de pacientes e processamento de pagamentos bancários. Ela também alertou para a dependência de tecnologias estrangeiras.

A Europa já tem menos data centers do que precisa para atender à própria demanda. Mantidas as tendências atuais, essa diferença deverá crescer mais de seis vezes em uma década, afirmou a presidente do BCE. Para reduzir a vulnerabilidade, ela defendeu a construção de mais capacidade computacional e o desenvolvimento de modelos capazes de operar com infraestrutura europeia.

Lagarde também estimou que uma adoção rápida da IA poderia elevar a produtividade europeia em até 4% ao longo de dez anos, com efeitos relevantes sobre as finanças públicas. Na avaliação dela, uma interrupção do acesso ou uma mudança nas condições de uso dos sistemas poderia atingir vários setores ao mesmo tempo e dar a parceiros comerciais uma influência inédita sobre a Europa.

A Comissão Europeia declarou que o avanço da tecnologia não deve ser interrompido, mas precisa ser acompanhado por mecanismos de segurança. O porta-voz Thomas Regnier afirmou que as empresas terão de demonstrar que seus serviços são seguros para os cidadãos antes de operar no bloco.

A Alemanha adotou posição semelhante. O Ministério de Assuntos Digitais considerou inviável interromper o desenvolvimento da IA e defendeu mais inovação para fortalecer a soberania digital europeia. O governo alemão também apoiou uma coordenação internacional com a participação dos Estados Unidos e da China.

O ministério alertou que sistemas capazes de sair de ambientes de teste e acessar outros sistemas por conta própria configurariam uma ameaça de natureza diferente, exigindo uma resposta política específica. A Alemanha está levando essa questão ao G7.

Na Espanha, o ministro da Transformação Digital, Oscar López, afirmou que ganhou força o debate sobre um acordo internacional destinado a limitar os riscos da inteligência artificial. A discussão foi comparada a propostas de não proliferação nuclear. López também apontou possíveis benefícios da tecnologia, como a descoberta de medicamentos e a melhoria de tratamentos, além de mencionar riscos para as finanças e a segurança cibernética.

O Reino Unido defendeu que eventuais regras sejam baseadas em evidências, e não em especulações. O país tem uma abordagem mais flexível para a regulação do setor do que a União Europeia.

Empresas e governo dos EUA divergem

A preocupação com os efeitos da rápida expansão da IA também aumentou entre executivos de empresas de tecnologia dos Estados Unidos. No sábado, Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu uma desaceleração que permitisse avaliar melhor os riscos associados às novas capacidades dos sistemas. Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk apoiaram publicamente a posição.

O presidente americano, Donald Trump, discordou. Nesta segunda-feira, ele criticou o que chamou de uma conspiração contra o desenvolvimento da IA e afirmou que a China seria a única beneficiada por uma desaceleração.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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