GOIÂNIA — O Ministério Público do Trabalho pediu à Justiça que Luciano Hang grave um vídeo de retratação em até 48 horas e que a Havan libere os empregados para votar sem desconto salarial. As medidas fazem parte de uma ação civil pública por assédio eleitoral, que tramita na Justiça do Trabalho em Goiânia/GO.
O órgão quer que a empresa conceda a liberação nos dias 4 e 25 de outubro. Também solicitou que a Justiça impeça novas manifestações políticas em lojas e eventos da rede e determine a criação de um programa permanente de neutralidade político-eleitoral.
Discurso em inauguração
A ação foi motivada por uma fala de Hang em 29 de agosto, durante a inauguração de uma unidade em Caldas Novas/GO. Diante de empregados recém-contratados, o empresário criticou a proposta de fim da escala 6x1 e relacionou a discussão às eleições de outubro, mencionando possíveis perdas de renda e empregos.
“Eles querem ganhar o voto de vocês em outubro”, afirmou Hang. O vídeo foi publicado nas redes sociais e teve repercussão nacional.
Segundo o MPT, o empresário foi notificado antes do ajuizamento sobre a irregularidade atribuída à manifestação. Para os procuradores, o discurso associou o voto dos trabalhadores a um possível prejuízo pessoal caso escolhessem candidatos favoráveis ao fim da escala 6x1.
O órgão afirma que não pretende impedir a liberdade de expressão nem a manifestação de Hang sobre a proposta. A avaliação é que o problema está no contexto: ele falou como dono da empresa, durante um evento interno voltado aos empregados. Para o MPT, essa condição pode fazer com que a fala seja interpretada como orientação, pressão ou favorecimento dentro da relação de emprego.
Pedidos de indenização
Além das medidas urgentes, o MPT pede R$ 30 milhões por dano moral coletivo e indenizações por danos morais individuais aos empregados afetados, em valor de pelo menos 20 vezes o último salário recebido.
A ação sustenta que o discurso associou uma possível mudança na forma de trabalho a cortes de pessoal e perdas econômicas caso prevalecesse uma posição política contrária à defendida pelo empregador. O órgão também aponta uma ligação, ainda que velada, entre o resultado eleitoral e a estabilidade da empresa e dos empregos.
Havan e Hang já haviam sido acionados pelo MPT por assédio eleitoral nas eleições de 2018. Em 2024, os dois foram condenados a pagar R$ 85 milhões por esse tipo de conduta.
Processo: 0001728-03.2026.5.18.0014



