UCRÂNIA — Os ataques russos contra a rede ferroviária ucraniana aumentaram de intensidade a cada semana, segundo Oleksandre Pertsovski, diretor-executivo da companhia estatal Ukrzaliznytsia. A declaração ocorreu na segunda-feira (14), um dia depois de uma locomotiva de passageiros ser atingida a cerca de dois quilômetros da fronteira com a Polônia. Não houve vítimas.
Pertsovski afirmou que a Rússia iniciou uma campanha praticamente contínua contra as ferrovias e que a capacidade de atingir equipamentos ferroviários e outros alvos semelhantes vem crescendo. Para o executivo, o ataque de domingo representou uma nova escalada por ter ocorrido longe da linha de frente. “Não existe nenhuma zona segura em território ucraniano”, declarou.
Desde a suspensão dos voos comerciais, no início da guerra, em 2022, os trens passaram a cumprir uma função central no transporte dentro da Ucrânia. A rede é usada por civis, diplomatas estrangeiros e pelas Forças Armadas, inclusive para levar equipamentos militares e mercadorias.
Impactos sobre a economia
Mais de 60 trabalhadores ferroviários ucranianos morreram em ataques desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. A ofensiva contra as ferrovias ocorre paralelamente a bombardeios que atingiram outros setores da economia, como armazéns logísticos e a indústria metalúrgica. As exportações agrícolas também diminuíram depois que embarcações passaram a ser atacadas no Mar Negro.
A Ucrânia, por sua vez, ampliou ataques de longo alcance contra a economia russa, principalmente contra refinarias de petróleo e centros logísticos do comércio eletrônico. Moscou acusa Kiev de ter provocado o descarrilamento de três trens em 2025. Esses episódios deixaram sete mortos e mais de 100 feridos.
Para Pertsovski, os ataques russos procuram atingir a economia, os clientes da companhia, a indústria metalúrgica, os portos e as infraestruturas. O diretor também afirmou que a ofensiva busca afetar o ânimo da população e transmitir a ideia de que as conexões de transporte foram interrompidas.


