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Famílias seguem ilhadas por enchente na várzea do Tietê, em São Paulo

Moradores relatam casas inundadas, demora no atendimento e perdas enquanto a Prefeitura e o governo estadual defendem ações de drenagem.

Famílias seguem ilhadas por enchente na várzea do Tietê, em São Paulo

Famílias de bairros da várzea do rio Tietê permaneciam ilhadas nesta segunda-feira (14), depois de dias de chuva e alagamentos no extremo leste da capital paulista. Em áreas como União de Vila Nova, Jardim Pantanal, Jardim Helena, Vila Itaim e Vila Seabra, a água continuava dentro de casas e ruas, enquanto moradores tentavam proteger móveis, conseguir alimentos e deixar as residências com segurança.

Na Vila Seabra, a líder comunitária Clarice Ferreira relatou que algumas casas tinham entre 80 centímetros e 1 metro de água. Segundo ela, o nível voltou a subir após um breve recuo. Diante da demora por atendimento, moradores conseguiram um barco e passaram a distribuir marmitas às famílias que não conseguiam sair.

A situação também foi relatada na União de Vila Nova, em São Miguel Paulista. Emerson Maquiné afirmou que a chuva começou às 23h da sexta-feira (11), e a água começou a subir por volta das 2h. No sábado (12), as casas continuavam inundadas. No domingo (13), o Tietê estava acima da cota de extravasamento em pontos do extremo leste. O nível chegou a 71 centímetros acima da cota de inundação no Jardim Helena e a 91 centímetros em Itaim Biacica. No Jardim Pantanal, moradores relataram água próxima de 1 metro dentro das residências.

Até o início da tarde de segunda-feira, São Paulo havia acumulado 227,8 milímetros de chuva em setembro, 245,2% acima da média histórica de 66 milímetros para o mês. O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas informou que esse era o setembro mais chuvoso dos últimos 32 anos e alertou para o solo encharcado e o risco de deslizamentos.

Atendimento e perdas

Moradores disseram que o socorro não alcançou todos os pontos atingidos. Clarice afirmou que o atendimento destinado às famílias da Vila Seabra ficava a cerca de 3 quilômetros de sua casa. Adriana Santos, com o pé machucado e duas crianças pequenas, relatou ter sido informada de que uma equipe da Defesa Civil chegaria às 9 horas, mas afirmou que ninguém havia aparecido até o momento de seu relato.

A Prefeitura informou que a Guarda Civil Metropolitana atua na região com viaturas, botes e moto aquática, auxiliando moradores e a retirada de pessoas que desejam deixar as residências. Também citou a limpeza de bueiros, galerias e córregos e o Plano Recupera Pantanal.

De acordo com a administração municipal, são investidos R$ 59,8 milhões em novas galerias de drenagem e na pavimentação de 10,4 quilômetros de vias. A Prefeitura também informou a construção de cerca de 845 metros de muro de gabião às margens do Tietê. Desde dezembro de 2025, 789 famílias foram retiradas de áreas consideradas de risco pelo programa, número que não representa o total de atingidos pela enchente desta semana.

Marinalva da Silva Menezes, de 56 anos, deixou a casa na estrada da Biacica depois que a água atingiu móveis e eletrodomésticos. Ela afirmou que perdeu geladeira, fogão, máquina de lavar, guarda-roupa e outros bens. A moradora foi para a casa da filha, mas não conseguiu retornar com segurança.

Barragem e obras

A permanência da água reabriu a discussão sobre a operação da barragem da Penha. Moradores afirmam que as comportas estavam fechadas e relacionam essa operação à duração da inundação. O governo estadual nega que a estrutura seja responsável pelas cheias nos bairros do extremo leste.

Em nota, o Estado informou que as seis comportas são fechadas quando o nível do Tietê a jusante chega à cota de 720 metros. Segundo o governo, a medida controla a vazão em direção à região central. A administração estadual reconhece que, com as comportas fechadas, a água ocupa temporariamente a várzea do Tietê, mas sustenta que a operação não provoca as enchentes.

O vereador Alessandro Guedes, que presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito do Pantanal na Câmara Municipal, contesta essa conclusão. Ele afirma que técnicos apontaram a possibilidade de o efeito de remanso interferir no sistema de drenagem dos bairros. O departamento jurídico de seu mandato analisa medidas para cobrar a abertura controlada das comportas.

As enchentes atingem bairros da várzea do Tietê há pelo menos três décadas. O relatório da comissão discutiu drenagem, reservatórios, pôlderes, desassoreamento, ocupação da várzea e alternativas para retenção da água. O documento aponta a necessidade de atuação articulada entre Município, Estado e União.

O governo estadual informou que retirou 371,9 mil metros cúbicos de sedimentos do Tietê na região do Jardim Pantanal, com investimento de R$ 55,8 milhões. A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística afirma que o desassoreamento aumenta a capacidade de escoamento e reduz os efeitos das cheias. Até o fechamento, a Prefeitura não havia apresentado um balanço consolidado de casas inundadas, famílias removidas, pessoas em abrigos ou atendimentos realizados.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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