MADRI — O despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, desencadeou protestos pelo direito à moradia na capital espanhola. Retirada pela polícia do apartamento em que vivia havia mais de sete décadas, ela deixou o imóvel de maca e foi levada a um hospital. Depois de passar por um check-up médico, decidiu morar com familiares.
Manifestantes ocupam, pelo terceiro dia, a área em frente à sede do governo regional de Madri. O acampamento começou no sábado (26), quando centenas de pessoas montaram barracas na praça Puerta del Sol. O Sindicato dos Inquilinos de Madri, que coordena as mobilizações, informou que outras manifestações estavam previstas para segunda-feira (28).
Disputa pelo aluguel
O apartamento, com 92 m², fica no bairro do Retiro, uma região valorizada da capital espanhola. Maricarmen pagava aproximadamente € 500 mensais, mas o fundo de investimentos que comprou o imóvel do antigo proprietário em 2018 elevou o valor em 275%, para € 2.650. A mudança deu início à disputa judicial.
A ordem de despejo foi obtida pelo fundo na Justiça. O caso chegou à Suprema Corte da Espanha, que decidiu a favor da empresa. A polícia cumpriu a ordem na quarta-feira (23), data que também marcou o começo dos protestos.
No sábado (26), cerca de 30 mil pessoas marcharam por Madri. Os manifestantes levaram chaves e faixas com as frases “Especuladores, voltem para casa” e “Moradia é para morar”.
Uma estudante afirmou que jovens espanhóis enfrentam dificuldades para deixar a casa dos pais. “Os políticos não só não fazem nada como ainda pioram a situação”, disse.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou o despejo como uma “tragédia social” e criticou a condução do caso pelo governo regional de Madri, dirigido por Isabel Díaz Ayuso. No domingo (27), Sánchez afirmou que trabalhava para aprovar até terça-feira (29), no Parlamento, um decreto com medidas de alívio imediato para inquilinos. Na última década, os aluguéis subiram mais do que os salários.


