LIVERPOOL — O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou nesta quarta-feira (30) que o país pode considerar um retorno à União Europeia. Em entrevista à BBC, ele disse que o governo deve avaliar diferentes formatos para definir a relação futura com o bloco, incluindo a adesão plena, a participação no mercado único e uma união aduaneira.
A possibilidade havia sido mencionada por Burnham na terça-feira (29), durante a conferência anual do Partido Trabalhista, em Liverpool. Na ocasião, o primeiro-ministro defendeu uma reavaliação da “relação de longo prazo do Reino Unido” com os parceiros europeus e declarou que o Brexit “trouxe mais prejuízos do que benefícios”.
Opções para a relação com o bloco
Burnham fez campanha, em 2016, para que o Reino Unido permanecesse na União Europeia. Agora, ainda não está definido como a população seria consultada sobre uma possível readesão. O primeiro-ministro também afirmou que manter a situação atual continua entre as alternativas: “Podemos permanecer como estamos”.
Uma cúpula entre o Reino Unido e a União Europeia estava prevista para 22 de julho, mas foi adiada depois que o antecessor de Burnham, Keir Starmer, renunciou ao cargo de primeiro-ministro. A reunião pode ser remarcada para novembro.
Qualquer iniciativa formal para pedir a readesão ao bloco, porém, só deve ocorrer depois das eleições gerais de 2029. O adiamento da cúpula ocorreu após a sexta troca de comando no Executivo britânico desde o Brexit.
Pesquisas de opinião indicam que a maioria dos britânicos apoia uma nova entrada na União Europeia. Esse apoio diminui quando a possibilidade inclui obrigações como contribuir para o orçamento do bloco e adotar o euro.
O atuário Roy Taylor, de 59 anos, disse ser favorável a uma aproximação com a Europa, mas questionou a necessidade de reabrir integralmente o debate sobre o Brexit.


