A deputada republicana Maria Elvira Salazar afirmou que a política de fiscalização da imigração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou do limite. Em um anúncio de 30 segundos, gravado diante da Casa Branca em inglês e espanhol, ela disse que eleitores hispânicos que ajudaram a eleger Trump em 2024 se sentem traídos.
“Sr. presidente, algumas de suas medidas de fiscalização da imigração foram longe demais”, afirmou Salazar. A deputada disputa a reeleição na Flórida em uma corrida considerada competitiva e enfrenta o democrata Eliott Rodriguez, ex-âncora de televisão.
Salazar representa um distrito com forte presença latina no centro de Miami, que inclui Little Havana. Analistas apartidários classificam a disputa como “provavelmente republicana”, avaliação que indica vantagem do partido, mas também uma corrida com algum grau de competitividade. Os democratas consideram a vaga uma de suas melhores oportunidades de conquista.
Pressão sobre os republicanos
A manifestação ocorre depois de meses de repercussão da política de repressão à imigração promovida pelo governo Trump. As ações começaram com operações de fiscalização em grande escala nas ruas. Em Minneapolis, agentes federais mataram dois cidadãos norte-americanos neste ano. Depois da reação negativa da opinião pública, o governo reduziu algumas operações de grande visibilidade, mas o número de deportações continuou elevado.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada em setembro indicou que 39% dos norte-americanos aprovavam a maneira como Trump lidava com a imigração. O índice havia sido de 50% logo depois de sua posse, em janeiro de 2025. A aprovação geral do presidente ficou em 35% em outro levantamento, realizado entre 11 e 14 de setembro, perto do menor nível de sua Presidência.
No anúncio, Salazar não responsabiliza Trump diretamente. Ela pede que o presidente tenha cautela com as orientações de seus assessores sobre as políticas migratórias. A mensagem acompanha a frustração crescente entre eleitores latinos, sobretudo os que apoiaram Trump em 2024.
Trump tem apresentado as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, como um referendo sobre sua Presidência. A estratégia tem provocado inquietação entre republicanos. No início da semana, os deputados de Iowa Zach Nunn e Mariannette Miller-Meeks votaram com democratas para limitar os poderes de guerra de Trump no Irã. A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.


