DALLAS — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta quarta-feira (9) que eleitores republicanos votem nas eleições legislativas de novembro como se o nome dele estivesse na cédula. O discurso ocorreu durante a convenção do partido para as eleições de meio de mandato, em Dallas, no Texas.
A votação definirá o controle do Congresso durante os dois últimos anos do atual mandato presidencial. Ao abrir sua fala, Trump apresentou a disputa como uma decisão sobre a continuidade de seu projeto político e alertou que uma vitória democrata afetaria fronteiras, cortes de impostos e segurança.
"Estou pedindo que vocês finjam que meu nome está na cédula. Meu nome está na cédula", afirmou Trump. Ele também disse que a vitória dos democratas entregaria o futuro dos Estados Unidos à esquerda radical e pediu que os eleitores escolhessem candidatos republicanos.
A estratégia ocorre enquanto candidatos republicanos de estados considerados decisivos avaliam o grau de proximidade que pretendem manter com o presidente durante a campanha. Trump enfrenta baixa popularidade, insatisfação dos eleitores com o custo de vida e resistência à guerra contra o Irã.
Alegações sobre eleições e investimentos
Trump acusou o ex-presidente Joe Biden de ter provocado uma crise econômica e responsabilizou os democratas pelos problemas atuais do país. Em seguida, afirmou falsamente ter vencido três eleições presidenciais. Ele foi eleito em 2016 e 2024, mas perdeu a disputa de 2020 para Biden.
O presidente também declarou que os primeiros dois anos de seu mandato são os mais bem-sucedidos da história da Presidência e voltou a citar investimentos estrangeiros anunciados desde seu retorno à Casa Branca. Segundo Trump, o volume ultrapassa US$ 20 trilhões (cerca de R$ 102,23 trilhões) em menos de dois anos.
O balanço da Casa Branca, porém, aponta US$ 11,2 trilhões (cerca de R$ 57,25 trilhões). O valor inclui promessas abrangentes e projetos anunciados anteriormente. Mais da metade do montante corresponde a compromissos informais assumidos por outros países, cuja realização é considerada incerta por especialistas.
Catar e Emirados Árabes Unidos prometeram individualmente mais de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,11 trilhões) em investimentos, quantia superior ao Produto Interno Bruto de cada país. Durante o primeiro mandato de Trump, a Arábia Saudita anunciou, em 2017, a compra de US$ 450 bilhões (cerca de R$ 2,3 trilhões) em produtos norte-americanos, mas o total não foi alcançado.
O discurso foi feito diante de uma arena com lugares vazios, inclusive perto do piso da convenção. Grandes áreas do nível superior estavam desocupadas, embora Trump tenha afirmado que o local estava "lotado".


