A Síria iniciou a destruição de armas químicas e de matérias-primas associadas a um programa clandestino mantido durante o governo de Bashar al-Assad. A informação foi apresentada na quinta-feira (3) por um enviado sírio e por uma representante da Organização das Nações Unidas (ONU).
O material foi localizado em maio e inclui munições semelhantes às usadas em ataques contra rebeldes durante a guerra civil síria, conflito que ocorreu de 2011 a 2024 e terminou com a queda de Assad. O uso de armas químicas é considerado crime de guerra pelo Estatuto de Roma, que integra a jurisdição do Tribunal Penal Internacional.
Izumi Nakamitsu, Alta Representante das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento, afirmou em reunião do Conselho de Segurança que esta é a primeira vez desde 2014 que a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) confirma a destruição desse tipo de munição na Síria.
Entre as descobertas recentes estão uma instalação adicional para produção de armas químicas, um produto químico até então não identificado usado na fabricação de agentes nervosos, munições químicas vazias e dois depósitos onde os novos produtos químicos eram armazenados, segundo Nakamitsu.
Embora a destruição tenha sido divulgada publicamente em setembro, uma equipe da OPAQ já havia acompanhado, no mês passado, a eliminação de munições não carregadas e de equipamentos usados para lançar projéteis com substâncias químicas. Na operação, ocorreu “a destruição irreversível de 42 bombas aéreas”, de acordo com Nakamitsu.
Críticas a Israel
O embaixador sírio na ONU, Ibrahim Olabi, declarou que Damasco está “protegendo o mundo e a região por meio desse trabalho”. Ele também criticou os ataques das Forças de Defesa de Israel contra alvos na Síria após a queda de Assad, que fugiu para a Rússia quando os rebeldes tomaram o poder, em dezembro de 2024.
Olabi disse que as ofensivas israelenses interromperam algumas buscas e ações de destruição de armas químicas. As Forças de Defesa de Israel não responderam às declarações.
A Síria também se prepara para a primeira audiência judicial de pessoas acusadas de participar do programa químico. No início deste ano, 18 suspeitos foram detidos, entre militares, políticos e técnicos de alto escalão.


