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Anthropic atribui a governo dos Emirados campanha de influência sobre o Sudão

Operação usou Claude para produzir documentos, postagens e testemunhos, além de criar cerca de 300 contas falsas em redes sociais.

Anthropic atribui a governo dos Emirados campanha de influência sobre o Sudão

A Anthropic atribuiu, com “alto grau de certeza”, ao governo dos Emirados Árabes Unidos uma operação de influência que tinha entre seus alvos especialistas da ONU críticos ao suposto papel de Abu Dhabi na guerra do Sudão. A empresa americana descreveu a campanha em um relatório publicado na quinta-feira (10), ao detalhar ações ilegais conduzidas por organizações ligadas a diferentes países.

A operação utilizou o Claude, assistente de inteligência artificial da Anthropic, para produzir documentos, conteúdos destinados às redes sociais e testemunhos relacionados ao conflito. A campanha era voltada principalmente contra a Irmandade Muçulmana e teria usado cerca de 300 contas falsas em redes sociais.

Alvos e identidade falsa

De acordo com a empresa, a articulação incluía uma personalidade virtual chamada “Deadshot”, que defendia “uma operação regional e transatlântica coordenada para desmantelar a Irmandade Muçulmana em todo o mundo”. Fundado em 1928 no Egito, o movimento pan-islamista sunita é apontado por seus supostos vínculos com o exército sudanês, que nega essa relação.

Outra frente teria envolvido a apropriação da identidade de uma ONG sudanesa. A partir disso, foram redigidos testemunhos de duas pessoas com o objetivo de apresentar à ONU conteúdos favoráveis aos interesses de um dos lados do conflito como se fossem relatos de testemunhas locais independentes. A Anthropic também identificou a preparação de expedientes destinados a desacreditar relatores da ONU que criticavam o papel de Abu Dhabi no Sudão.

A empresa não conseguiu determinar se os testemunhos ou os expedientes chegaram aos destinatários nem se influenciaram decisões políticas. As autoridades dos Emirados Árabes Unidos não haviam respondido de imediato.

A guerra entre o exército sudanês e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido começou em 2023. Segundo trabalhadores humanitários, o conflito deixou mais de 200.000 mortos e provocou o deslocamento de mais de 12 milhões de sudaneses. A ONU considera a situação a mais grave crise humanitária do mundo. Os Emirados Árabes Unidos são acusados de apoiar as Forças de Apoio Rápido e de alimentar a guerra, o que negam categoricamente.

A Anthropic informou ainda ter encerrado operações de vigilância patrocinadas por Estados que usavam seus modelos de IA. Os casos, originados na China, no Irã e no oeste da África, foram detectados e interrompidos entre janeiro e julho. A empresa advertiu que governos e grupos alinhados a eles recorrem cada vez mais à inteligência artificial para espionar minorias e dissidentes.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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