As manifestações do 7 de Setembro serão usadas por candidatos à Presidência para apresentar mensagens distintas a menos de um mês do primeiro turno. Luiz Inácio Lula da Silva participará do desfile cívico em Brasília com um discurso centrado na soberania nacional, enquanto Flávio Bolsonaro comandará, na Avenida Paulista, um ato contra o ministro Alexandre de Moraes e pela abertura de uma investigação no Supremo Tribunal Federal (STF).
A mobilização da direita está marcada para as 15h e terá como uma de suas pautas o impeachment de Moraes no Senado. A pressão ocorre em meio à crise provocada por um relatório da Polícia Federal (PF), que menciona o ministro como emissário de mensagens com Daniel Vorcaro, então banqueiro, inclusive no dia da prisão dele, em novembro de 2025.
Flávio afirmou que o tamanho do público poderá influenciar o julgamento sobre a abertura de um inquérito contra Moraes no Supremo. A data da análise ainda não foi marcada e depende do presidente da Corte, Edson Fachin. André Mendonça já liberou a ação para julgamento no plenário.
“Se a manifestação tiver bastante gente, eu sei que lá dentro do Supremo tem algumas pessoas que são sensíveis a essa pressão popular”, disse Flávio em uma live no Instagram. Entre os nomes confirmados para o ato estão Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes, Nikolas Ferreira e Carlos Portinho.
A mensagem de Lula e os atos paralelos
A defesa da soberania diante de tentativas de interferência estrangeira, em referência aos Estados Unidos, foi o eixo da declaração de Lula em cadeia nacional. O desfile na Esplanada dos Ministérios terá como slogan A Força que Une o Brasil e também fará referências ao combate ao feminicídio.
A participação de ministros do Supremo no desfile permanece incerta. Moraes esteve na cerimônia de 2024, mas não compareceu à do ano passado. Na sexta, Lula pediu, ao lado de Fachin, total transparência para esclarecer o caso e afirmou que nenhuma autoridade poderia usar o cargo em benefício pessoal.
Outros candidatos também organizaram manifestações. Augusto Cury, do Avante, convocou uma caminhada pela manhã na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, com defesa do fim da polarização e do apaziguamento do país. O trajeto será entre os postos 5 e 6, a partir das 9h.
Renan Santos fará um ato no Obelisco do Ibirapuera, com críticas aos “traidores da nação”. Ao explicar por que não participaria da manifestação na Paulista, ele afirmou: “Eu quero que o Flávio seja preso”. Romeu Zema também estará em São Paulo, em uma concentração contra o STF a partir de 9h20, na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação. Depois, deverá caminhar em direção ao MASP.
Ronaldo Caiado escolheu Goiânia para um desfile cívico. O evento está marcado para as 8h, na Avenida Tocantins, em frente ao Teatro Goiânia.


