A campanha de Augusto Cury (Avante) prepara uma nova etapa para tentar levar o candidato ao segundo turno e alcançar 15% do eleitorado até o fim da próxima semana. A estratégia será concentrar a propaganda de rádio e televisão na trajetória de Cury como psiquiatra, autor de best-sellers e empresário, além de apresentá-lo como alguém capaz de dialogar com eleitores da direita à esquerda.
O marqueteiro Sérgio Lima afirma que a campanha não pretende fazer do conflito entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, o centro do debate. Segundo ele, os levantamentos internos não indicaram que o tema domine as conversas do público que Cury busca alcançar, especialmente no ambiente digital. A avaliação também é que entrar nesse embate poderia gerar rejeição ao candidato.
“Não vai trazer rejeição para ele mesmo”, disse Lima, ao explicar a decisão. O marqueteiro afirmou que Cury já tem uma posição sobre o assunto, mas não participará agora do confronto entre os ministros. A referência foi feita aos líderes das pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que, segundo Lima, deverão se explicar sobre o tema.
Da ampliação do eleitorado à biografia
A campanha considera que suas primeiras etapas foram voltadas a eleitores indecisos e ao chamado voto útil, formado por pessoas que escolhiam Lula ou Flávio Bolsonaro mais para impedir a vitória do adversário. Depois, Cury passou a buscar também eleitores inclinados à abstenção ou sem identificação com os candidatos disponíveis.
Agora, a prioridade é tornar mais conhecida a trajetória do candidato. Lima diz que a campanha deixou Cury exposto aos ataques e permitiu que o público formasse sua própria avaliação. “Agora ele vai se posicionar como o grande cara que ele é”, afirmou.
Nas cinco pesquisas nacionais mencionadas, Cury atingiu dois dígitos em três delas. Na BTG/Nexus, subiu de 2% para 11%; no PoderData/Aya, de 4% para 10%; e na Quaest, de 2% para 10%. No Datafolha, passou de 2% para 9%. Na AtlasIntel, avançou de 1,6% para 7,8%.
O crescimento também ocorreu nas redes sociais. Entre 24 e 28 de agosto, Cury ganhou 2,4 milhões de seguidores no Instagram, conforme dados da Social Blade. O resultado superou o contingente total de Renan Santos (Missão) e ficou próximo ao de Ronaldo Caiado (PSD). A campanha nega suspeitas de uso de bots ou de mecanismos para inflar artificialmente os números.
Desde o dia 30, porém, Cury perdeu algumas dezenas de milhares de seguidores. A campanha terá de manter o público conquistado enquanto aumentam os ataques dos demais candidatos da terceira via.


