O candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, afirmou nesta sexta-feira (11) que pretende indicar duas mulheres para o Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito. Ele não apresentou nomes nem explicou quais critérios usaria nas escolhas.
Durante entrevista ao SBT Brasil, Cury associou uma maior presença feminina na Corte à adoção de padrões mais rigorosos de ética e criticou a corrupção no país. O candidato também classificou como uma vergonha a crise instalada no Supremo. Atualmente, o tribunal tem apenas uma mulher entre seus ministros: Cármen Lúcia.
“Se tivéssemos mais mulheres no STF, certamente teria muito mais ética”, disse Cury. Em seguida, afirmou que suas primeiras duas indicações para a Corte seriam de ministras, e não de ministros.
Pedido sobre o caso Banco Master
Cury pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que os processos relacionados ao Banco Master sejam julgados de forma aberta, televisionada e rápida. Ele defendeu que a análise fosse concluída em uma semana e disse que os eleitores deveriam ter acesso às informações antes do dia 4 de outubro.
“Quem estiver na lista do Vorcaro não deve merecer o seu voto”, afirmou, em referência ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso.
A crise no Supremo começou a ganhar visibilidade em 1º de setembro, depois que André Mendonça retirou o sigilo de um processo da Operação Compliance Zero. O material incluía mensagens atribuídas a Vorcaro e enviadas a um contato identificado como “Alexandre de Moraes Brasília”. Desde então, Alexandre de Moraes acusa Mendonça de direcionar investigações contra ele. Mendonça, por sua vez, afirma ter sido monitorado ilegalmente pela Polícia Federal.
Em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Flávio Dino derrubou a decisão no dia seguinte. Edson Fachin manteve os dois delegados nos cargos e encaminhou o caso ao plenário do STF.
Nesta sexta-feira (11), Moraes acusou Mendonça de retirar sigilos de maneira seletiva para proteger um determinado grupo político. Mendonça negou e disse ter preservado apenas informações pessoais e investigações em andamento. Após pedido da Procuradoria-Geral da República, ele retirou o sigilo de outros 38 processos. Desde 1º de setembro, 52 procedimentos tiveram o sigilo derrubado.
O plenário do STF deve analisar na terça-feira (15) a petição sobre as conversas entre Vorcaro e Moraes. Fachin também determinou que procedimentos com potencial para investigar ministros sejam encaminhados previamente à Presidência do Supremo.


