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Política

Candidaturas negras representam 17,89% dos registros no Rio Grande do Sul em 2026

Número caiu de 279 para 188 em relação a 2022, enquanto a participação proporcional recuou de 19,42% para 17,89%.

Candidaturas negras representam 17,89% dos registros no Rio Grande do Sul em 2026

O número de candidaturas de pessoas autodeclaradas pretas ou pardas caiu de 279, em 2022, para 188 nas eleições de 2026 no Rio Grande do Sul. Os registros deste ano correspondem a 17,89% das 1.051 candidaturas no estado, contra 19,42% de um total de 1.437 candidaturas na eleição anterior.

A redução foi de 91 candidaturas e de 1,53 ponto percentual na participação proporcional. O movimento foi provocado principalmente pela queda entre pessoas pretas: eram 161 candidaturas em 2022 e passaram a 101 em 2026. A participação desse grupo recuou de 11,20% para 9,61%.

Entre pessoas pardas, os registros diminuíram de 118 para 87. Como também houve redução no total de candidaturas, a proporção permaneceu praticamente estável, passando de 8,21% para 8,28%.

O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou que 2,3 milhões dos quase 11 milhões de habitantes do Rio Grande do Sul se declararam pretos ou pardos. Esse grupo representa cerca de 21% da população estadual, acima dos 17,89% observados entre as candidaturas de 2026.

Financiamento e apoio partidário

A professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Maria Lúcia Moritz relaciona a participação eleitoral ao acesso ao financiamento de campanha. Ela afirma que, em 2020, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a divisão proporcional, entre candidaturas negras, dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundão.

Moritz afirma que, em 2022, o repasse total aos homens brancos eleitos para a Câmara dos Deputados foi cerca de três vezes maior que o destinado aos homens negros, quatro vezes maior que o destinado às mulheres brancas e nove vezes maior que o destinado às mulheres negras. Para a professora, a falta de recursos reduz as chances de sucesso eleitoral e o pouco apoio político e financeiro dos partidos desestimula a participação.

Em 2024, a Emenda Constitucional 133 alterou a regra de distribuição. Os partidos passaram a ter de destinar 30% dos recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário usados nas campanhas a candidaturas de pessoas pretas e pardas, independentemente da proporção desses grupos. A norma vale também para 2026, mas permite que as legendas escolham em quais estados aplicar os recursos, sem exigir o cumprimento do percentual em cada unidade da Federação.

Mulheres e distribuição entre partidos

Das 188 candidaturas negras registradas em 2026, 81 são de mulheres pretas ou pardas e 107, de homens pretos ou pardos. As mulheres negras representam 7,71% do total de candidaturas, e os homens negros, 10,18%. Em 2022, eram 118 candidaturas de mulheres negras, equivalentes a 8,21%, e 161 de homens negros, correspondentes a 11,20%.

Na avaliação de Moritz, os efeitos de raça e gênero precisam ser analisados em conjunto, porque produzem impactos diferentes nas candidaturas e nos resultados eleitorais.

Entre os partidos, o Podemos registrou 21 candidaturas negras em um total de 78, ou 26,92%. O Partido Social Democrático (PSD) teve 18 entre 73, e o Partido dos Trabalhadores (PT), 16 entre 66. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) apresentou a maior proporção entre as legendas com maior número absoluto: 15 candidaturas negras em 47, ou 31,91%. O Partido Socialismo e Liberdade (Psol) teve 13 entre 45, equivalentes a 28,89%.

Considerando a proporção interna de cada partido, o Partido Renovação Democrática (PRD) registrou quatro candidaturas negras entre cinco, ou 80%. O Solidariedade teve cinco entre 12, e a Unidade Popular (UP), cinco entre 13.

Na comparação com 2022, o Avante caiu de 26 candidaturas negras, que correspondiam a 50% do total da legenda, para cinco em 2026, ou 21,74%. O Solidariedade passou de 28 para cinco. O Progressistas (PP) recuou de 14 para quatro, e o União Brasil, de dez para uma. O Partido Social Cristão (PSC), que tinha 18 em 2022, e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que tinha nove, não aparecem em 2026.

Por outro lado, o Podemos passou de nove candidaturas negras em 2022, equivalentes a 10,71% do total do partido, para 21 em 2026, tornando-se a legenda com o maior número absoluto no estado. O PSD subiu de 13 para 18, e o Partido Democrático Trabalhista (PDT), de 12 para 16.

Disputas majoritárias

Na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, há duas candidaturas de pessoas negras: Rejane de Oliveira (PSTU), autodeclarada preta, e Cesar Pontes (PCO), autodeclarado pardo. Para vice-governador, concorrem Naf Nascimento (UP), autodeclarada preta, e Tiago Nilo (PCO), autodeclarado pardo.

Não há candidatura titular de pessoa autodeclarada negra ao Senado em 2026. Entre os suplentes, Enio Alves e Claudiane Lopes, da UP, são autodeclarados pardos na primeira suplência. Na segunda, estão Tamyres Filgueira e Lucas Caregnato, do PT, autodeclarados pretos, e Débora Bernardes, da UP, autodeclarada parda.

Em 2022, havia três candidaturas negras ao governo: Rejane de Oliveira, Carlos Messalla (PCB) e Paulo Roberto (PCO). Naquele ano, Sanny Figueiredo (PSB), autodeclarada preta, concorreu como titular ao Senado.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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