A candidata à reeleição ao governo do Distrito Federal, Celina Leão (PP), negou ter participado das negociações para a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Durante uma sabatina nesta quarta-feira (16), ela afirmou que mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro confirmam sua posição contrária à operação.
As mensagens foram trocadas em 5 de abril de 2025, depois de o conselho de administração do BRB aprovar a aquisição de 58% das ações do Master. Na conversa, Vorcaro disse ao publicitário Thiago Miranda que Celina não havia sido excluída das tratativas e que as declarações públicas da então vice-governadora fariam parte de uma estratégia para preservar sua posição política.
O conteúdo divulgado não apresenta conversas diretas entre Vorcaro e Celina nem descreve de que maneira teria ocorrido a suposta participação da governadora. Ela afirmou que a reação do ex-banqueiro às declarações públicas indicaria que os dois não mantinham contato.
“Eu não tenho o contato do Daniel Vorcaro”, disse Celina. A governadora também declarou que nunca teve o telefone dele e sustentou que se opôs à negociação antes da divulgação de suspeitas de irregularidades envolvendo o Master.
A posição sobre o BRB
Celina afirmou que considerava inadequada a aquisição porque, em sua avaliação, o BRB deveria concentrar sua atuação no Distrito Federal. Ela disse que as mensagens reforçam a postura que vem apresentando desde o início do caso e que foi criticada por Vorcaro em uma conversa com Miranda.
A candidata também foi questionada sobre a demora para divulgar as demonstrações financeiras do BRB referentes a 2025. O documento deveria ter sido apresentado no fim de março, mas ainda não havia sido publicado. A ausência do balanço mantém indefinida a dimensão dos prejuízos do banco nas operações com o Master.
“O balanço do BRB não segue calendário eleitoral, ele segue um calendário técnico, não eleitoral”, afirmou.
A governadora relacionou a divulgação dos números às negociações para reforçar a situação financeira do banco e criticou o governo federal pela falta de avanço na obtenção de garantias para uma operação de crédito pretendida pelo governo do Distrito Federal.
Empréstimo e futuro do banco
O governo do Distrito Federal tenta viabilizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A falta de demonstrações financeiras atualizadas é um dos pontos de impasse. Em agosto, o FGC afirmou que o balanço era necessário para avaliar a situação econômico-financeira do BRB e analisar o pedido.
Celina acusou o governo federal de não avançar nas negociações e afirmou que trabalha para preservar o banco. Também mencionou ações judiciais destinadas a recuperar fluxos financeiros da instituição e descartou, em sua fala, os cenários de privatização ou quebra do BRB.
A candidata disse ainda que adversários na disputa pelo governo do Distrito Federal atuariam contra uma solução favorável para o banco. Para ela, o encerramento da campanha eleitoral poderá facilitar as negociações sobre a situação financeira do BRB.


