BRASÍLIA — Mensagens trocadas em abril de 2025 mostram Daniel Vorcaro afirmando que Celina Leão participou das tratativas do Banco de Brasília (BRB) para a compra do Banco Master. O Governo do Distrito Federal (GDF), porém, nega que a governadora tenha integrado as negociações.
A conversa ocorreu em 5 de abril de 2025, oito dias depois de o conselho de administração do BRB aprovar a aquisição de 58% das ações do Master. Na ocasião, Celina era vice-governadora do Distrito Federal e havia dito que não fora consultada sobre a operação, da qual teria tomado conhecimento pela imprensa.
O conteúdo das mensagens
O publicitário Thiago Miranda enviou a Vorcaro um link sobre o mal-estar dentro do governo do Distrito Federal. Miranda afirmou que Celina estaria tentando ganhar projeção política por ter ficado fora da operação. Vorcaro contestou essa versão e disse que a postura da então vice-governadora seria uma forma de se preservar politicamente: “Não ficou de fora não. Isso aí é jogo pra se preservar na política”.
Em nota, o GDF sustentou que as mensagens não demonstram participação de Celina na compra do Master pelo BRB. O governo afirmou ainda que ela era contrária ao negócio desde seis meses antes da operação policial que levou à prisão de Vorcaro.
Celina assumiu o governo do Distrito Federal em 30 de março, depois que Ibaneis Rocha deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado. Em julho, diante do avanço das investigações sobre o caso Master e da crise financeira do BRB, o ex-governador desistiu da candidatura.
Desde então, Celina tem afirmado que não participou da operação e que, quando era vice-governadora, não tinha poder para interferir nas decisões de Ibaneis. Em 09 de agosto, no primeiro debate entre candidatos ao governo do Distrito Federal, ela repetiu que soube da aquisição pela imprensa.
Situação financeira do BRB
A tentativa de compra do Master ocorreu depois de o BRB adquirir carteiras de crédito da instituição. Investigações da Polícia Federal apontam que o banco público transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master. Aproximadamente R$ 12,2 bilhões desse montante seriam títulos falsos, sem valor.
O Governo do Distrito Federal é o principal acionista do BRB e busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, com garantia da União, para socorrer a instituição. Na semana passada, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux deu prazo de 15 dias para que o governo federal, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos se manifestem sobre o pedido.
O GDF também declarou que, após o anúncio do negócio entre os bancos, em março de 2025, Celina se manifestou contra a operação e não descartava rever a aquisição quando assumisse o cargo.



