A coligação O Brasil Pronto pra Mais, que apoia Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, apresentou neste sábado (20) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de investigação contra Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). A aliança atribui aos três possível uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder econômico.
A acusação trata do uso de publicações em coautoria no Instagram, conhecidas como collabs. Para a coligação, esse recurso teria sido empregado para ampliar o alcance de conteúdos ligados à campanha do Partido Liberal sem contratação formal de impulsionamento, identificação do responsável ou registro contábil.
Levantamento apresentado ao tribunal
A petição se baseia em um levantamento da equipe de monitoramento de redes sociais da campanha Lula-Alckmin. O estudo identificou 1.826 publicações em collabs entre 492 perfis. Desse total, 1.334 foram feitas em um período de dez dias.
Segundo o relatório, a prática teria reproduzido o efeito do impulsionamento e contornado as regras de recomendação de propaganda eleitoral a pessoas que não integram a rede de contatos dos candidatos e partidos. O documento afirma ainda que a utilização ocorreria de maneira coordenada, sistemática e recorrente.
Ao menos 74 perfis oficiais de candidaturas ou campanhas político-eleitorais no Instagram estariam envolvidos na rede de compartilhamento. O levantamento relaciona 26 contas do Partido Liberal, 5 do Novo, 4 do Republicanos e 1 do Partido Progressistas.
A prática é apontada como recorrente nos perfis de Mario Frias, Rogério Zeraik Abdalla, Carol Figueiredo, Neto Bessa, Dieyme Vasconcelos e Sargento Gurgel. A petição também questiona a divulgação de notícias falsas para elevar o alcance e o engajamento das publicações, além da possível monetização desses conteúdos.
De acordo com o documento, páginas teriam obtido receitas financeiras com conteúdo eleitoral e com a interação gerada por publicações consideradas desinformativas. A coligação sustenta que essa forma de exploração contrariaria a legislação eleitoral, que, segundo a petição, impede influenciadores e outras pessoas de lucrar com a divulgação de propaganda eleitoral na internet.



