Pesquisas eleitorais são retratos estatísticos da opinião dos eleitores no período em que as entrevistas são realizadas. Elas não antecipam o resultado das urnas: entre a coleta e a votação, o eleitor pode mudar de posição, fatos novos podem modificar o cenário e parte dos votos pode ser definida apenas na reta final.
Como a amostra é construída
O instituto começa definindo o público-alvo e selecionando uma amostra que represente o eleitorado. Para isso, utiliza dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), distribuindo os entrevistados em cotas proporcionais de sexo, idade, escolaridade, renda e região, entre outros critérios.
A seleção ocorre em etapas. No caso da Quaest, são sorteados municípios, regiões ou setores censitários, domicílios e, por fim, as pessoas entrevistadas. A escolha deve ser aleatória dentro dos perfis definidos, para que os indivíduos tenham a mesma probabilidade de participar.
O tamanho da amostra não precisa acompanhar proporcionalmente o número total de eleitores. A precisão depende principalmente do volume absoluto de entrevistas e da qualidade da seleção. A partir de cerca de 2 mil entrevistas em pesquisas nacionais no Brasil, o aumento da amostra produz ganho reduzido de precisão. Por isso, levantamentos nacional e estadual com 2 mil entrevistados podem ter margem de erro semelhante.
Registro, ponderação e margem de erro
Pesquisas destinadas à divulgação pública precisam ser registradas no sistema PesqEle, do TSE, até cinco dias antes da publicação. O registro informa contratante, metodologia, plano amostral, margem de erro, nível de confiança e questionário. O tribunal disponibiliza os dados para consulta, mas não aprova previamente os resultados.
A ponderação é um ajuste feito depois da coleta para aproximar a composição da amostra das proporções da população. Se um grupo representar 20% da população, mas corresponder a 25% dos entrevistados, suas respostas terão peso menor no cálculo final. Grupos sub-representados recebem peso maior. Esse procedimento pode alterar os percentuais em relação à simples contagem das entrevistas, e os critérios adotados devem ser informados no registro do TSE.
A margem de erro indica a variação estimada, para mais ou para menos, em torno do resultado. Se um candidato tiver 24% das intenções de voto e a margem for de 3 pontos percentuais, o intervalo correspondente será de 21% a 27%.
O nível de confiança expressa a probabilidade de o resultado real estar dentro desse intervalo. O padrão utilizado no Brasil é de 95%. Em termos práticos, se a pesquisa fosse repetida 100 vezes com amostras idênticas, em cerca de 95 delas o resultado ficaria dentro da margem divulgada, enquanto em 5 ficaria fora.
Por que os levantamentos divergem
Dois institutos podem chegar a resultados diferentes mesmo realizando pesquisas quase na mesma época. As diferenças podem estar nas datas de coleta, na forma de abordagem — presencial ou por telefone —, no plano amostral, nos critérios de ponderação, no período de campo, na margem de erro e no nível de confiança.
O chamado empate técnico ocorre quando a diferença entre dois candidatos é menor do que o dobro da margem de erro. Nesse caso, os intervalos dos dois resultados se sobrepõem, e a pesquisa não permite afirmar qual candidato está efetivamente à frente naquele momento.
Para avaliar um levantamento, é necessário consultar no TSE a data da coleta, a abrangência geográfica, a pergunta feita aos entrevistados, o perfil da amostra, a margem de erro e o nível de confiança. Esses elementos ajudam a distinguir um retrato estatístico do momento de uma previsão sobre o resultado eleitoral.


